Funrural na mira: redução de benefícios fiscais e o avanço da arrecadação
11 de junho de 2026ADIs 7.779 e 7.790 inauguram contencioso constitucional da reforma tributária
15 de junho de 2026O histórico IPO da SpaceX (Space Exploration Technologies Corp.) ocorreu nesta semana, na sexta-feira, 12 de junho de 2026.
E ao contrário do que muitos esperavam, a listagem ocorreu na Nasdaq (e na Nasdaq Texas) sob o ticker SPCX, e não na NYSE – uma visão que já causou impacto
- O Valor Total Arrecadado: A SpaceX arrecadou exatamente US$ 75 bilhões, consolidando-se como o maior IPO da história global ao superar a Saudi Aramco. Foram vendidas 555.555.555 ações ao preço fixado de US$ 135,00 por ação.
- Valuation de Estreia e Desempenho: O preço inicial avaliou a companhia em US$ 1,77 trilhão. No primeiro dia de negociações (12/06), os papéis fecharam em alta de 19.22%, cotados a US$ 160,95, elevando o valor de mercado para US$ 2,11 trilhões e tornando Elon Musk o primeiro trilionário do mundo.
- Custos e Comissões Bancárias: A operação foi coordenada por um consórcio liderado por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase, com a participação de outros 18 bancos (totalizando 23 instituições). Devido à decisão agressiva e incomum da SpaceX de fixar previamente o preço e o volume de forma rígida, as taxas de subscrição (underwriting fees) foram espremidas para uma faixa estimada entre 1% e 1,5% do montante (abaixo dos tradicionais 3% a 5% de Wall Street para grandes empresas), gerando um montante total de comissões distribuído entre os bancos na ordem de US$ 750 milhões a US$ 1,12 bilhão. Outras fontes informam que taxas foram praticadas em até 0,97%. Afinal alguns investidores operaram a partir de 1/3 de bilhão de dólares
- Identificação de Origem dos Investidores: Na data do IPO, embora os reguladores como a SEC não abram publicamente a identidade detalhada ou a nacionalidade de cada comprador pessoa física, a movimentação de capitais que antecedeu o IPO somadas ao revelado no prospecto S-1, pós IPO, a distribuição das ações organizou-se nos seguintes percentuais…
- 30% da Oferta foi exercida pelo Varejo: Destinada a investidores individuais (pessoas físicas) nos EUA através de plataformas como Fidelity, E-Trade, Charles Schwab e SoFi.
- 70% foi realizada por Fundos de pensão, fundos soberanos e grandes gestoras de Venture Capital (como a Sequoia Capital, que converteu sua posição inicial).
- Mas bem logo o mercado saberá quem são os donos dos “bois”, pois após o IPO, a SEC impõe rastreabilidade por nacionalidade corporativa, que passa a ser progressivamente visível por meio dos formulários trimestrais 13F que são arquivados na SEC pelas gestoras de fundos com mais de US$ 100 milhões sob gestão. Esta informação é publica.
- Mas existem marcadores iniciais que já são conhecidos, pois foram ofertadas ao público geral apenas Ações Ordinárias Classe A (Class A Common Stock), que conferem 1 voto por ação. Todavia as ações de controle permanecem não listadas publicamente. A empresa utilizou uma estrutura rígida de Supervotos (Dual-Class Share Structure
- Pós-IPO, entretanto, pelas informações que a SpaceX terá publicizar na entrega dos formulários S-1, deverá ser confirmado que Elon Musk retém mais de 80% do poder de voto total (especificamente 82%) e cerca de metade das ações econômicas da companhia, pois a empresa ofertou/listou no IPO apenas 5% do seu capital total, garantindo que a governança continue totalmente centralizada nas mãos do fundador para atender a realização das metas futuristas de longo prazo.
- Professor Édison Freitas de Siqueira, entende que o IPO da SpaceX operou a partir de três fortes balizadores, que definem sobre o novo comportamento do mercado, quanto ao manejo das expectativas do capital que anseia e precisa para um novo e inédito tipo de riqueza, que é ligada a mega corporações com múltiplas atuações a partir de uma única plataforma de gestão global. Este novo fenômeno exclui e apropria o capital preso em “bolhas” e migra para premissa que um grande negócio não desaparece ou cai, porque seu tamanho é maior que o maior buraco que se encontre no Mundo. E para isto ocorrer o IPO estabeleceu o seguinte cenário…
- Com toda esta dinâmica a avaliação do ponto de vista de crédito e risco de governança, foi mitigada pelos movimentos de capital que antecederam o IPO e se consolidaram logo imediatamente após o IPO. A estratégia de imposição de cotação mínima, antes do IPO permitiu que o mercado internacional se mobilizasse previamente. Assim os U$ 70 bilhões realizados saíram da ociosidade, e passaram a ser a base de futuras flutuações para cima. Além disto US$ 75 bilhões que estavam estacionados em reservas espalhadas pelo
- Mundo, migraram limpos para o caixa do empreendedorismo para financiar despesas de capital (CapEx) massivas da Starship e infraestrutura de IA. A estratégia foi implementada com tal perfeição que a assimetria presente no perfil fundamentalista da SpaceX, precificada a múltiplos esticados de quase 94 vezes a receita de 2025 (US$ 18,7 bilhões), assimila o prejuízo líquido operacional consolidado de US$ 2,6 bilhões puxado pelas divisões de IA e atuais Lançamentos, tudo passando a ser classificado como despesas e custo de investimento de longo prazo. Mas existe ainda um risco estrutural nao resolvido que o mercado ainda irá questionar: trata-se do ‘Key-Man Risk’ (dependência extrema de Elon Musk) e na estrutura de classe dupla de ações, que anula os direitos de governança dos minoritários. Isto precisa ser enfrentado, porque, normativamente, classifica o risco de mercado como Elevado/Especulativo no longo prazo, devido à dependência de contratos governamentais e mercados de IA ainda não maturado e gestionados exclusivamente pela “persona” Elon Musk”.
- De qualquer forma, como antes foi citado, a Spacex passou a ser maior que qualquer problema. E com o sucesso alcançado com os resultados do IPO, a SpaceX já alcançou seu objetivo primário: capturar o menor custo de capital possível na história dos mercados públicos sem ceder um único milímetro do controle operacional da companhia. Os US$ 75 bilhões recebidos, a empresa declarou previamente no plano de abordagem ao mercado, serão alocados integralmente na expansão da infraestrutura computacional para os modelos da xAI/Grok (cuja fusão em fevereiro validou o nosso valuation trilionário) e na aceleração do ecossistema Starshield para Defesa e economia lunar. Estas informações foram antecipadas ao mercado em prospectos previamente entregues a Investidores, Bancos, Fundos e Agentes, via declarações do COO da Companhia, Gwynne Shotwell. Ele antecipou que a SpaceX – após o IPO – não responderá a pressões por resultados trimestrais de curto prazo, porque o plano de negócios foi previamente divulgado. E nisto esta a beleza e segurança da estratégia.
- Prometer lento, entregar lento, e assim não correr risco de não entregar o prometido. Com tempo tudo se resolve no percurso, até porque, a partir de agora todos estão de māos dadas e como a SpaceX listou apenas 5% de suas ações e os empregados que receberam ações só podem vender suas posições após 180 dias, a flutuação da cotação promete ser estável e positiva , explicando o forte “rali” que precedeu o IPO e o imediato salto de 19,22% alcançado no primeiro dia das operações, cuja cotação chegou a US$ 260,95.
- Tudo explica e aumenta “compliance” e, sinalizando previsibilidade na expectativa de aumento do preço futuro, lenta e progressivamente.
- A operação foi estruturada e vendida ao mercado como captura de recursos para investimento em infraestrutura multiplanetária.
- Vendeu-se a visão de que o verdadeiro dividendo está na construção de novas tecnologias de transporte autônomo; energia; IA; infraestrutura e desenvolvimento de softwares e hardwares computacionais; conectividade, instalações, comunicação, geolocalização civil e militar e transporte orbitais.”
Fonte: Professor Édison Freitas de Siqueira
Presidente do IEED – Instituto de Estudos Econômicos e do Direito
