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15 de maio de 2014O presidente da Energias do Brasil, Miguel Setas, disse nesta quarta-feira, 14, que o atual cenário do mercado elétrico brasileiro é prejudicial para a empresa. “O impacto desse quadro do mercado é obviamente negativo ao negócio”, disse durante o EDP Investor Day 2014 realizado na capital britânica. A portuguesa EDP é a controladora da Energias do Brasil.
Um dos problemas apontados pelo executivo são os resultados gerados pela necessidade de reforçar a geração termoelétrica – opção mais cara que a energia hidrelétrica – e eventuais compras no mercado à vista ou spot – cujos preços são maiores do que os negociados previamente. “Isso vai gerando déficits e se acumula”, disse Setas, ao comentar o impacto do atual cenário elétrico do Brasil sobre os negócios de geração e distribuição.
O executivo reconheceu que o governo anunciou medidas, como os recursos do Tesouro Nacional para o setor e o crédito oferecido por bancos públicos para as elétricas. “Essas medidas ajudam a fechar essa diferença. Mas esse déficit eventualmente vai ser repassado para o consumidor, via tarifa, no futuro”, disse.
Aos investidores europeus, o presidente da Energias do Brasil explicou que a atual situação do mercado brasileiro foi gerada especialmente pela falta de chuvas e atrasos na conclusão de novos projetos. “Estamos vivendo um dos piores períodos de chuvas em muitas décadas. O volume de chuvas está muito próximo do mínimo histórico registrado em 1955”, disse.
Apesar da falta de chuvas, o executivo mostrou que o problema não pode ser atribuído apenas aos fatores climáticos. “Parte da nova capacidade do setor foi cancelada ou está com a execução atrasada”, disse, ao exibir um quadro que mostra projetos que somam 7.000 MW que foram cancelados ou estão atrasados. “Tudo isso significa um verdadeiro teste de estresse para o sistema”.
Apesar da avaliação negativa e ao fato de a empresa estudar um plano de contingência para o caso de racionamento elétrico, o executivo nota que o Brasil está melhor preparado do que em 2001. “Naquele ano, só 10% da capacidade de geração vinha das termoelétricas. Agora, é mais que o dobro, 23% da geração está nas termoelétricas. Isso está balanceando os fatores que vêm estressando o sistema”, disse.
