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18 de abril de 2024O CEO da Embraer, Paulo César de Souza e Silva, afirmou em comunicado interno que os funcionários da aviação comercial da fabricante brasileira serão transferidos para a joint venture (nova empresa) que será formada em parceria com a Boeing. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5) em comunicado interno divulgado aos trabalhadores e obtido pelo G1.
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O comunicado foi feito após as empresas divulgarem que assinaram um acordo de intenções para formar a nova empresa. Nos termos do acordo, a fabricante norte-americana de aeronaves deterá 80% do novo negócio e a Embraer, os 20% restantes. Após o anúncio do acordo, as ações da Embraer caíram mais de 7% no início do pregão na Bovespa.
As operações e serviços de aviação comercial da Embraer foram avaliados em US$ 4,75 bilhões. A Boeing, maior fabricante de aeronaves do mundo, deve pagar US$ 3,8 bilhões pelos 80% da joint venture.
A transação depende do aval dos acionistas – entre os quais, no caso da Embraer está o governo brasileiro – e dos órgãos reguladores do mercado brasileiro e americano.
O anúncio de Paulo César, que foi publicado na intranet por volta das 8h desta quinta, esclarece os termos do acordo, além de detalhar as ações futuras com relação aos funcionários.
“Com relação às pessoas, ainda há muito a ser detalhado, mas adianto a vocês que de forma geral os funcionários hoje dedicados 100% às atividades ligadas à aviação comercial, incluindo equipe de suporte e serviços, irão para a nova empresa”.
O Sindicato dos Metalúrgicos estima que o setor mantenha cerca de 9 mil pessoas entre as unidades de São José dos Campos e Botucatu. Em 2017, a área de aviação comercial da Embraer respondeu por 57,6% da receita líquida da companhia, com US$ 10,7 bilhões de um total de US$ 18,7 bilhões.
Sobre os demais setores, Defesa e Aviação Executiva, que permanecem sob o domínio da Embraer, o CEO informou que não haverá mudança. “Para as equipes dedicadas à Defesa e Segurança, Aviação Executiva, Aviação Agrícola e serviços e suporte correlatos, nada muda. O mesmo se aplica às empresas coligadas e subsidiárias“.
Na região, as unidades de São José dos Campos (Faria Lima) e Taubaté vão ficar com a nova empresa. A fábrica no distrito de Eugênio de Melo, também em São José, permanece com a Embraer.
\”Quanto às unidades, inicialmente já tomamos as seguintes decisões: ficarão com a joint venture da aviação comercial as unidades Faria Lima, EDE [Embraer Divisão Equipamentos], Taubaté, Évora e Nashville. As unidades de Gavião Peixoto, Botucatu, Eugênio de Melo, OGMA [ Centro de Serviço Autorizado da Embraer] e Melbourne ficam com certeza na Embraer. Com relação às demais unidades e escritórios, ainda estamos definindo a melhor estratégia\”, afirma.
O CEO afirma ainda que todas as mudanças devem acontecer no prazo de 18 meses. No fim do comunicado, o CEO afirma que todos estão \”totalmente focados na construção da perpetuidade da Embraer, bem-estar dos empregados e manutenção dos empregos\”.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou que, apesar do anúncio de manutenção dos empregos, vê com apreensão a criação da nova empresa. Para eles, a proposta ameaça a soberania nacional e o futuro da Embraer no Brasil.
“A nossa porcentagem é menor. Hoje, eles vão vender o E2, mas daqui cinco anos ele será obsoleto e precisaremos de um modelo novo. Uma empresa que tem maior parte norte-americana não vai transferir a criação para geração de renda e emprego no Brasil. Com isso, não seremos mais do que produtores de peças”, afirmou Herbert Carlos, diretor do sindicato na Embraer.
A parceria deve entrar nos resultados financeiros da Boeing por ação no início de 2020 e deve gerar uma sinergia anual de custos estimada em cerca de US$ 150 milhões, sem considerar impostos, até o 3º ano.
Segundo as companhias, uma vez consumada a transação, a joint venture na aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil, incluindo um presidente e CEO. A Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa, que responderá diretamente a Muilenburg.
Além da joint venture, as empresas também irão criar outro negócio para novos mercados e aplicações para produtos e serviços de defesa, em especial o avião multimissão KC-390, a partir de oportunidades identificadas em conjunto.
“Os investimentos conjuntos na comercialização global do KC-390, assim como uma série de acordos específicos nas áreas de engenharia, pesquisa e desenvolvimento e cadeia de suprimentos, ampliarão os benefícios mútuos e aumentarão ainda mais a competitividade da Boeing e da Embraer”, disse em comunicado o vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores da Embraer, Nelson Salgado.
As duas empresas mantêm um centro de pesquisas conjunto sobre biocombustíveis para aviação em São José dos Campos desde 2015.
É o segundo grande acordo do setor aéreo em 9 meses. Em outubro do ano passado, a Airbus comprou metade do programa de aviões de médio alcance da Bombardier.
Confira o comunicado na íntegra
Caros colegas,
É com grande satisfação que anuncio a vocês que assinamos um Memorando de Entendimento com a Boeing, visando formar a mais importante parceria estratégica da indústria aeroespacial mundial, fortalecendo ambas as empresas e sua posição de liderança no mercado mundial.
Essa parceria vai gerar um novo ciclo virtuoso para a indústria aeroespacial brasileira, com maior potencial de vendas, aumento de produção, de investimentos e exportações, geração de empregos e renda, agregando maior valor para clientes, acionistas e empregados.
O acordo propõe a criação de uma joint venture entre Embraer e Boeing, formando uma nova empresa que será responsável pelo desenvolvimento dos negócios e serviços de aviação comercial.
A Embraer mantém sua marca e presença no Brasil e no mundo. Além da participação na joint venture, continuará atuando com força nos mercados de defesa e segurança, aviação executiva, agrícola e serviços e suporte correlatos.
A Embraer e a nova empresa atuarão em forte parceria, como empresas irmãs. Elas farão uma série de investimentos conjuntos na comercialização de alguns produtos, assim como acordos específicos nas áreas de engenharia, pesquisa e desenvolvimento e cadeia de suprimentos, ampliando os benefícios mútuos e aumentando ainda mais a competitividade da Boeing e da Embraer.
Abaixo detalho a vocês um pouco mais desse movimento que estamos fazendo, sua importância e impactos. O texto ficou extenso, mas peço que leiam com atenção, pois é muito importante para nosso futuro.
Desde que assumi a liderança da Embraer, tenho chamado a atenção de vocês para os desafios enormes que estamos enfrentando.
A Embraer é uma empresa forte, com sólida linha de produtos e classe mundial de engenheiros, respeitada no mundo pela sua eficiência e competência. Entretanto, o cenário externo está mudando rapidamente. A concorrência ficou mais acirrada e novos competidores estão entrando na briga.
Outro fator relevante é um movimento de associação de empresas no mercado. Isso vem ocorrendo tanto com fornecedores quanto com clientes nossos. Eles começam a se organizar em grandes blocos, dificultando a negociação para empresas do porte da Embraer.
Por tudo isso, é mandatório buscarmos soluções de longo prazo. Precisamos ter flexibilidade e ousar novos formatos de negócios para que possamos nos manter competitivos no mercado.
Eu tenho plena convicção de que essa parceria estratégica com a Boeing vai impulsionar o crescimento, garantindo a longevidade da nossa empresa e, consequentemente, a geração de empregos e riqueza para o nosso país.
Sobre a nova empresa (joint venture) Com a criação da nova empresa, vamos potencializar as linhas de produtos da aviação comercial. Juntas, Boeing e joint venture estarão aptas a oferecer uma linha abrangente e complementar de aeronaves de passageiros de 70 a 450 assentos, oferecendo produtos e serviços do mais alto nível para melhor atender uma base global de clientes.
A Boeing deterá 80% de participação na joint venture e a Embraer, os 20% restantes. A transação avalia 100% das operações e serviços da nossa aviação comercial em 4,75 bilhões de dólares.
Uma vez consumada a transação, a joint venture na aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil e responderá diretamente ao Dennis Muilenburg, presidente mundial da Boeing. A sede da nova sociedade será no Brasil. Como regra geral, Embraer e Boeing não poderão dispor de suas respectivas participações na nova sociedade pelo prazo de 10 anos a contar do fechamento da operação.
A joint venture se tornará um dos centros de excelência da Boeing para desenvolvimento de projetos, fabricação e manutenção de aeronaves comerciais de passageiros e será totalmente integrada à cadeia geral de produção e fornecimento da Boeing.
A Embraer continua existindo no Brasil e no mundo, atuando nos mercados de defesa e segurança, aviação executiva, aviação agrícola e serviços e suporte correlatos, além da participação na joint venture da aviação comercial.
Com essa parceria, a Embraer será uma empresa mais forte, com capital financeiro expressivo, com cerca de 1 bilhão de dólares a mais no caixa, o que vai possibilitar investimentos e desenvolvimento de novos projetos.
Além disso, Boeing e Embraer irão criar outra joint venture para promoção e desenvolvimento de novos mercados e aplicações para produtos e serviços de defesa, em especial o KC-390, a partir de oportunidades identificadas em conjunto.
Também iremos firmar com a Boeing contratos operacionais de longo prazo envolvendo prestação de serviços de engenharia, licenças recíprocas de propriedade intelectual, acordos de pesquisa e desenvolvimento e de compartilhamento de uso de estabelecimentos. A Embraer também será fornecedora de determinados produtos, componentes e matérias-primas para a joint venture da aviação comercial e vice-versa.
Outro ponto a destacar é que as negociações dessa parceria junto ao Governo Brasileiro comprovaram a importância estratégica da Embraer para o Brasil e isso abre novas perspectivas junto ao Ministério da Defesa e às Forças Armadas para desenvolvimento de projetos futuros.
Todos esses fatores vão beneficiar os atuais negócios da Embraer e possibilitar novos, garantindo crescimento e longevidade da empresa e geração de valor para os empregados, acionistas e clientes.
Com relação às pessoas, ainda há muito a ser detalhado, mas adianto a vocês que de forma geral os funcionários hoje dedicados 100% às atividades ligadas à aviação comercial, incluindo equipe de suporte e serviços, irão para a nova empresa. Para as equipes dedicadas à Defesa e Segurança, Aviação Executiva, Aviação Agrícola e serviços e suporte correlatos, nada muda. O mesmo se aplica às empresas coligadas e subsidiárias.
Os funcionários dedicados a mais de uma unidade de negócio ou que atuam em atividades corporativas serão remanejados conforme necessidade da Embraer e da joint venture da aviação comercial. Isso será detalhado futuramente.
Todas as definições acontecerão em cerca de 18 meses. Enquanto isso, nada muda, ou seja, cada um de vocês continuará desempenhando suas atividades normalmente, na área em que trabalha.
Quanto às unidades, inicialmente já tomamos as seguintes decisões: ficarão com a joint venture da aviação comercial as unidades Faria Lima, EDE, Taubaté, Évora e Nashville. As unidades de Gavião Peixoto, Botucatu, Eugênio de Melo, OGMA e Melbourne ficam com certeza na Embraer. Com relação às demais unidades e escritórios, ainda estamos definindo a melhor estratégia.
Assim que tivermos os detalhes, me comprometo a informar rapidamente a vocês.
A finalização dos detalhes financeiros e operacionais da parceria estratégica e a negociação dos acordos definitivos da transação devem continuar nos próximos meses. Uma vez executados estes acordos definitivos de transação, esta estará, então, sujeita a aprovações regulatórias e de acionistas, incluindo a aprovação do governo brasileiro, bem como outras condições habituais pertinentes à conclusão de uma transação deste tipo. Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a expectativa é que a transação seja fechada até o final de 2019, ou seja, entre 12 a 18 meses após a execução dos acordos definitivos.
Nossa prioridade interna continua sendo aumentar, em muito, nossa eficiência operacional e reduzir substancialmente os custos. Vamos continuar focando toda nossa energia e talento em duas frentes: Passion for Excellence e Vendas.
Isso é prioridade tanto para a Embraer quanto para a nova empresa que estamos criando. Temos que fortalecer a musculatura para sermos mais agressivos junto aos concorrentes. Precisamos dar um grande salto e criar um diferencial competitivo que nos coloque à frente de qualquer outro concorrente. Temos que ser mais eficientes, ágeis e inovadores. Eu continuo pessoalmente envolvido nessas iniciativas e conto com todos vocês.
Sei que essas mudanças são profundas e com certeza geram ansiedade e dúvidas em todos vocês, mas quero que tenham certeza que estamos totalmente focados na construção da perpetuidade da Embraer, bemestar dos empregados e manutenção dos empregos.
Estamos escrevendo um novo e grande capítulo da nossa história. Um capítulo ousado e transformador, que se equipara ao momento da criação ou da privatização da Embraer. Eu acredito fortemente que é o início de uma nova era de crescimento e prosperidade para nossa empresa e para todos nós.
Vamos construir juntos o futuro e, mais uma vez, conto com todos vocês.
Forte abraço,
Paulo Cesar
ACORDO ENTRE BOEING E EMBRAER