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22 de fevereiro de 2019A articulação política do governo segue batendo cabeça na tentativa de construir uma base de apoio para a aprovação da reforma da Previdência. A Casa Civil e o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), estão sem se entender. A falta de unidade no diálogo incomoda aliados, que esperavam uma interlocução mais célere. Sem que o Palácio do Planalto assuma o protagonismo, quem tem dado as cartas é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar está em conversas para compor uma base de suporte à reforma com deputados do bloco que o reelegeu.
O descontentamento com a articulação do governo é disseminado. Parlamentares ainda evitam demonstrar a insatisfação abertamente, mas o desconforto é crescente até mesmo dentro do próprio PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Parlamentares criticam a interlocução capitaneada por Vitor Hugo, mas também relutam em deixar a costura política toda com a Casa Civil, do ministro-chefe Onyx Lorenzoni (DEM).
A base do PSL critica as interferências diretas de Lorenzoni nas disputas pela Presidência da Câmara e do Senado. No Senado, o apoio franco à candidatura de Davi Alcolumbre (DEM-AP) e a resistência em apoiar Maia despertaram a insatisfação de correligionários de Bolsonaro. O próprio líder do partido na Casa, Major Olimpio (PSL-SP), declarou que Lorenzoni não fala em nome do chefe do Executivo. “Onyx é interlocutor político do governo, mas não é o governo”, ponderou.
O sentimento em relação ao ministro da Casa Civil não é diferente na Câmara. Não à toa, mesmo depois de uma reunião entre Major Vitor Hugo e Lorenzoni, na segunda-feira, o relacionamento entre líder do governo e Planalto continua conturbado. A ponto de Vitor Hugo ter negado oferecer um espaço no gabinete da liderança do governo à Secretaria Especial para a Câmara, pasta subordinada à Casa Civil.
A estrutura foi um pedido do titular da secretaria, Carlos Manato, filiado ao PSL. A negativa de Vitor Hugo repercutiu mal entre correligionários. A avaliação é de que o líder do governo e o secretário deveriam articular juntos, a fim de dar unidade ao processo. “Deveria haver um alinhamento na interlocução. A costura feita pelo Manato não interfere na do líder”, criticou um deputado do partido.
Com o Planalto e a liderança do governo batendo cabeça, a aposta é de que a pacificação e o estabelecimento de uma diretriz no processo de articulação ocorram somente após o retorno de Bolsonaro para Brasília. Até lá, Maia seguirá ditando o ritmo da interlocução.
O diálogo diuturno com os deputados é um diferencial de Maia no processo, reconheceu o líder do PR na Câmara, José Rocha (BA). “Rodrigo é uma peça importante para quebrar as arestas”, destacou. O parlamentar ressalta, no entanto, que Vitor Hugo está começando a se entrosar com as demais lideranças. “Tivemos uma reunião de líderes (ontem) com a presença dele para discutir a pauta da semana. A construção da base governista será feita naturalmente. Tudo é uma questão de tempo”, ponderou.
A costura política de Maia nos bastidores é importante para a composição de uma base de apoio à reforma da Previdência. Para o cientista político Enrico Ribeiro, coordenador legislativo da Queiroz Assessoria Parlamentar e Sindical, será mais fácil o governo atingir o número de votos necessários para a aprovação da matéria se der o protagonismo ao presidente da Câmara. “Se deixar nas mãos dele, é capaz de ele entregar ao governo uma reforma mais afinada com a idealizada pela equipe econômica em menos tempo”, sustentou.
Dar o protagonismo a Maia, entretanto, significa esvaziar o trabalho de interlocução da Casa Civil e pagar o preço da articulação feita pelo deputado. Resistir a isso pode comprometer a celeridade da votação, analisa Ribeiro. “Aí, o Maia poderia fazer igual fez com o Temer (então presidente): impõe o poder da agenda e dificulta a tramitação da reforma”, justificou. Mesmo com o antigo governo sinalizando que poderia alcançar os votos colocando o texto em plenário, ao fim de 2017, Maia segurou a matéria. “Ele fez isso e pode voltar a fazer algo parecido”, acrescentou o cientista político.
A busca por um meio termo entre a articulação feita pela Casa Civil e Maia é ideal, mas exigiria uma reconciliação entre Lorenzoni e o presidente da Câmara. Uma alternativa é substituir Vitor Hugo por alguém com mais capacidade de liderança e alinhamento com Maia, avaliou o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB). “É preciso alguém com mais capacidade de liderança para montar uma ampla coalizão”, ressaltou.
