After Mladic, the way is open
27 de maio de 2011BNDES prevê investimento de 23% do PIB ao final dos próximos quatro anos
31 de maio de 2011O patrimônio dos trabalhadores que têm parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da Petrobrás e da Vale encolheu R$ 1,6 bilhão este ano. Segundo especialistas, a ingerência do governo na administração das duas empresas nos últimos meses afugentou investidores e seria o principal motivo para a desvalorização dos papéis.
De janeiro até o último dia 20, o patrimônio líquido dos fundos FGTS aplicado em ações da Petrobrás diminuiu de R$ 5,5 bilhões para R$ 4,9 bilhões, uma queda de 10,5%. O da Vale encolheu de quase R$ 6 bilhões para R$ 5 bilhões, redução de 10,8%. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
“Não foi a única razão, mas a interferência política é o principal fator para a queda desses papéis”, afirma Pedro Galdi, analista chefe da corretora SLW. “No caso da Vale, a troca forçada do presidente da empresa gerou medo de mais ingerência do governo. Em relação à Petrobrás, essa ingerência é escancarada.”
O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, lembra que o mercado passou por uma fase de correção de preços. “Nesses momentos os mercados geralmente se assustam. E os episódios da Vale e da Petrobrás não foram bons. É só ver os relatórios dos analistas, que mostraram receio desse tipo de intervenção”, disse Fraga.
O investidor fugiu das ações da Petrobrás, em grande parte, por que o governo impediu a estatal de repassar a alta do petróleo no mercado internacional para o preço dos combustíveis aqui dentro. No caso da Vale, o processo foi mais perturbador. O governo agiu diretamente para demitir o presidente Roger Agnelli.
Embora a mineradora seja uma empresa privada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, agiu diretamente no episódio. Agnelli perdeu o cargo porque não aceitou alguns desejos do governo, como comprar navios de carga no Brasil e aumentar os investimentos em siderurgia.
Ótimo negócio. “Essas perdas do Fundo de Garantia aplicado em Petrobrás e Vale não deveriam existir. Foram geradas por interferência política, não tem razões de mercado”, afirma Mário Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil, uma ONG criada para acompanhar o desempenho do FGTS.
Apesar das perdas, quem aplicou o FGTS em Petrobrás e Vale e até hoje não resgatou, fez um ótimo negócio. De acordo com cálculos do Instituto FGTS Fácil, de agosto de 2000, quando foram vendidas, até o último dia 19, as ações da Petrobrás renderam 519%. No mesmo período, o rendimento do FGTS tradicional, que paga a Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano, foi de 70%.
Os papéis da Vale, negociados em fevereiro de 2002, subiram 970% até o último dia 19. No período, o FGTS rendeu 56%.
