Brasil pode perder R$ 3,6 trilhões até 2050 por causa das mudanças climáticas
25 de novembro de 2009Real é moeda mais sobrevalorizada do mundo
27 de novembro de 2009Os juros médios cobrados pelas instituições financeiras nos empréstimos subiram de 35,3% para 35,6% ao ano entre setembro e outubro. O Banco Central, que divulgou ontem as estatísticas, acredita que a alta foi apenas temporária e que os bancos voltarão a reduzir o custo do crédito nos próximos meses. “A inadimplência deve cair e, com ela, os juros bancários”, afirma o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.
Segundo ele, os principais indicadores do mercado de crédito, como volumes, taxas e prazos, mostram sinais de terem voltado à normalidade, depois de serem afetados pela crise financeira internacional de 2008. A única exceção é a taxa de inadimplência, que, segundo ele, tende cair daqui por diante. Esse ganho, afirma, deverá ser repassado para os clientes, por meio do corte nos “spreads” bancários.
A inadimplência média nos chamados empréstimos livres, com taxas livremente pactuadas pelo mercado, manteve-se estável em 5,8% entre setembro e outubro, no conceito operações vencidas há mais de 90 dias. Até agosto, a inadimplência vinha mantendo tendência de alta. Ainda há um longo caminho para retornar aos patamares pré-crise: em setembro de 2008, a inadimplência era de 4%.
“O aumento da renda e do emprego vai favorecer a queda da inadimplência”, afirma Maciel. Além disso, a normalização da oferta de crédito, sobretudo para pequenas e micro empresas, também devem criar um ambiente mais favorável para a queda da inadimplência. Parte das empresas ficou inadimplente porque, sem acesso a novas linhas de crédito, não tiveram como rolar dívidas antigas.
A alta dos juros ocorrida de setembro a outubro, de 35,3% para 35,6% ao ano, deveu-se exclusivamente ao aumento dos custos de captação dos bancos – que, em termos médios, subiram de 9,3% para 9,6% ao ano no período. Esse movimento está vinculado à alta dos juros nos mercados futuros, que subiram em virtude dos riscos de descontrole nas contas fiscais e diante da possibilidade de reaperto na política monetária.
O spread bancário, que é a diferença entre os custos de captação dos bancos e as taxas cobradas nos empréstimos, manteve-se estável em 26 pontos percentuais (pp) entre setembro e outubro. É um patamar bem inferior aos 30,7 pp observados em dezembro de 2008, após a economia ser atingida pela crise financeira internacional. Mas ainda está maior do que os 22,3 pp verificados em dezembro de 2007.
O crédito bancário cresceu 1,4% entre setembro e outubro, atingindo um volume total de R$ 1,367 trilhão, que corresponde a 45,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O avanço do mercado de crédito, que nos piores momentos da crise se apoiava principalmente no crédito direcionado e nos empréstimos a pessoas físicas, tornou-se mais disseminado e equilibrado, avalia o Banco Central.
Os empréstimos livres a pessoas físicas cresceram 1,4% entre setembro e outubro, e o crédito livre a pessoas jurídicas com recursos domésticos, 1,4%. Houve queda de 3,9% nos empréstimos a empresas com recursos externos, mas devido apenas à valorização cambial no período. Já o crédito direcionado avançou 2,2% no período, com destaque para habitação (3,1%) e financiamentos rurais (3%).
