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25 de maio de 2009A discussão em torno de uma lista fechada, na qual os eleitores votariam no partido político e não mais nos candidatos individualmente, tornou-se um cabo de guerra na volta dos debates de uma reforma política. E já ameaça criar obstáculos para o governo na Câmara.
Em reação direta à disposição de líderes de grandes partidos em defender a votação por meio de lista, um grupo de deputados instituiu um movimento, intitulado “Diretas Sempre – Contra o voto em lista”, que até adesivo de campanha já tem.
“Essa é a questão chave da reforma política. Queremos assegurar ao povo o voto direto nos candidatos”, afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), um dos organizadores do movimento. Para não ser surpreendido durante a votação, Miro e um grupo de deputados estão recolhendo assinaturas para mapear os votos contrários à proposta. Em junho de 2007, o projeto que instituía o voto em lista fechada nas eleições foi derrotado no plenário da Câmara com um placar de 252 votos contra e 181 a favor.
Politicamente, o grupo pretende também usar mecanismos regimentais que podem atrapalhar as votações de interesse do governo na Casa para pressionar contra a lista fechada. “O governo não pode ficar fazendo alianças com quem quiser para derrotar aliados”, protestou Miro, prometendo obstruir votações do governo. O líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), segue na mesma linha. “O governo está fazendo aliança com o DEM e com o PSDB para aprovar a reforma política. Ele tem de perceber que nós também vamos nos aliar com outros partidos para atrapalhar as votações”, disse.
O deputado Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM, é um dos principais defensores do voto em lista fechada, elaborada pelos partidos políticos. “Se não aprovar o voto em lista não tem mais reforma política”, afirmou Caiado. Ele pretende deixar essa posição clara na reunião de líderes convocada pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para discutir os rumos da votação da reforma política na semana que vem.
Nesta semana, a Executiva do PSB e a bancada de deputados vão se reunir para discutir o assunto. A ideia é fechar questão no partido contra o voto em lista. Para Rollemberg, a pretexto corrigir falhas no sistema eleitoral, vão piorar a relação do político com o eleitor. “A lista vai afastar ainda mais a população da política e transformar os políticos em castas”, disse o líder do PSB.
Ele considera que o voto em lista vai dar poder exagerado à cúpula partidária, vai retirar da população a capacidade de renovação dos parlamentares e ainda favorecer a corrupção, com a possibilidade de um candidato rico comprar o primeiro lugar na fila. “Já tem gente defendendo que os atuais detentores de mandato tenham direito a ficar nos primeiros lugares da lista. Chega a ser indecente”, afirmou Rollemberg.
