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21 de agosto de 2015O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), avisou aos colegas de plenário nesta quarta-feira que não vai, por ora, conduzir investigação sobre denúncias de tráfico de influência envolvendo o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente da corte, Aroldo Cedraz.
O TCU anunciou há quase um mês a abertura de uma apuração preliminar sobre o caso, que não avançou. Ministros resistem em assumir a relatoria do processo, sob o argumento de que seria um constrangimento e um desgaste perante Aroldo Cedraz.
Em julho, o escritório do advogado foi alvo de buscas na Operação Politeia – braço da Lava Jato que apura a suposta atuação dele para influenciar decisões da corte, com base em depoimentos do dono da UTC, Ricardo Pessoa, delator do esquema de corrupção na Petrobrás.
Tiago fez fortuna à frente da banca, com forte presença no órgão comandado pelo pai. Circula com desenvoltura pelos gabinetes da corte e tem relações próximas com alguns ministros. Como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, um relatório do TCU, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação, relaciona ao menos 79 visitas dele ao prédio o tribunal em Brasília desde o fim de 2006, ano em que começou a atuar como advogado.
A investigação preliminar foi instaurada por Raimundo Carreiro, corregedor do TCU, mas ele não ficou à frente do caso, pois foi citado na delação de Pessoa. Em depoimento, o empresário disse ter pago R$ 1 milhão para que Tiago atuasse em caso relacionado a obras na usina de Angra 3. No TCU, Carreiro é o relator de processos sobre essas obras. O ministro e Tiago negam qualquer participação em ilícitos.
Nardes foi sorteado o relator na semana passada e, desde então, vem dizendo que não decidiu se ficará na função. O aviso de que não vai assumir a relatoria, ao menos por ora, foi discutido em sessão reservada do tribunal, com os demais ministros. A justificativa é que Carreiro, como corregedor, tem de definir primeiro sua situação, declarando-se oficialmente suspeito ou impedido para conduzir a investigação.
O impasse ainda não tem solução. Os integrantes da corte discutem a possibilidade de que uma comissão de ministros leve a apuração adiante. Uma decisão a respeito, contudo, não foi tomada. “Isso é um abacaxi”, disse, reservadamente, um dos ministros.
