After Olympic party, hard work ahead for Brazil
5 de outubro de 2009Onda regulatória faz vítimas além do sistema financeiro
13 de outubro de 2009O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou os empresários suecos a investir pesadamente no Brasil, um país que, segundo ele, aprendeu definitivamente a crescer e que “não vai jogar fora o século 20 como fez com o século 20”. Ele destacou o volume de investimentos que serão feitos nos próximos anos – “só da Petrobras, serão US$ 178 bilhões até 2017” – e disse que a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 abre oportunidades muito interessantes de negócios no país.
“Se a Suécia quiser repetir a final da Copa de 58 com o Brasil, tem que fazer investimento no país”, brincou o presidente, arrancando risos da plateia, o que ocorreu em vários momentos do discurso, como ao lembrar que fez sua primeira greve como líder sindical numa empresa sueca: “Eu só cheguei à Presidência por causa daquela greve, da nossa querida Scania do Brasil.” No fim, foi aplaudido de pé, depois de falar por meia hora para empresários suecos e brasileiros, que realizaram um encontro paralelo à Cúpula entre o Brasil e a União Europeia (UE).
Lula disse que o país saiu da crise rapidamente por causa da população mais pobre e da classe média e da ação indutora e reguladora do Estado na economia. Ele defendeu a ação dos bancos públicos, afirmando que o crédito não sucumbiu no Brasil como em outros países devido à existência do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Em uma declaração conjunta, empresários brasileiros, suecos e europeus se queixaram da complexidade do sistema tributário brasileiro, e advertiram contra os riscos de medidas protecionistas. Por fim, reivindicaram a retomada das negociações entre o Mercosul e a UE. Nos últimos anos, a prioridade dos países tem sido a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). O comunicado oficial da reunião de cúpula Brasil e UE diz que a prioridade é Doha, mas aponta para a importância da intensificação “dos esforços para a retomada das negociações com vistas a um acordo de associação Mercosul UE”.
Em evento realizado antes, Lula falou sobre a licitação para a renovação da frota de caças brasileiros, o programa FX-2. A sueca Saab faz parte da concorrência, oferecendo ao Brasil o desenvolvimento conjunto do Gripen NG. O presidente disse que ainda não conhecia oficialmente a proposta sueca. “A única proposta que eu recebi textualmente, que queria negociar, foi a visita do presidente Nicolas Sarkozy (da França) ao Brasil. Certamente, nos próximos dias ou, quem sabe, nas próximas semanas, eu deverei receber, do Ministério da Defesa, uma análise. Nós temos algumas condições”, disse Lula. A americana Boeing também participa da concorrência.
