Ministro da Saúde nega intenção de recriar tributo para financiar setor
23 de fevereiro de 2011Brazil consumers drive Pão de Açúcar profits
25 de fevereiro de 2011O saldo de investimentos estrangeiros diretos (IED) no mês de janeiro atingiu US$ 3 bilhões e ficou acima do esperado pelo mercado. Em fevereiro, a expectativa é de que o valor atinja recorde.
Até o dia 21, segundo estimativas do Banco Central (BC), a cifra alcançou quase US$ 7 bilhões. Até o fim do mês, deve superar essa faixa.
“A entrada vai mais do que cobrir nosso déficit em conta corrente”, afirma Rafael Bistafa, economista da consultoria Rosenberg & Associados.
O dado mede a entrada de capital estrangeiro em empresas como investimento de longo prazo. “Do ponto de vista do financiamento do nosso déficit, esse dado é bastante saudável, pois esses investimentos impulsionam a economia”.
Os investimentos vieram diversificados no mês de janeiro. Um total de US$ 549 milhões foi para obras de infraestrutura, US$ 126 milhões em petróleo e gás, US$ 123 milhões em metalurgia, e US$ 227 milhões em atividades imobiliárias.
“A partir de agosto, o Investimento Estrangeiro Direto começou a aumentar com força, e agora esse movimento continua”, aponta Bráulio Borges, economista da LCA consultores. A LCA projeta que o valor fique próximo a US$ 50 bilhões em 2011 – no ano passado atingiu US$ 48 bilhões.
Por outro lado, o déficit em conta corrente avançou 41% em janeiro, ante o mesmo mês do ano anterior, para US$ 5,4 bilhões. As despesas com viagens internacionais atingiram recorde de US$ 1,7 bilhão.
“O real valorizado e as férias de verão são a combinação perfeita para um déficit na conta turismo”, explica Borges. Com os gastos de viagens, o déficit na conta turismo atingiu US$ 1,1 bilhão.
Mas a queda no superávit comercial também contribui para o déficit. Embora a balança comercial tenha apresentado superávit de US$ 424 milhões em janeiro (ante saldo negativo de US$ 180 milhões em 2009), a projeção da LCA é de um superávit de US$ 13,7 bilhões no acumulado de 2011, praticamente a metade do ano passado (US$ 20,3 bilhões).
Mudança de carteira
De acordo com os dados do BC, janeiro foi um mês de recomposição das carteiras de estrangeiros no país.
Ao contrário do IED, o investimento estrangeiro em carteira é a entrada de capital externo em ações e renda fixa. Em janeiro, investidores saíram de ações e passaram para títulos de renda fixa.
Na comparação com janeiro do ano passado, os investimentos estrangeiros em ações caíram 46%, para US$ 676 milhões, enquanto os ingressos em renda fixa avançaram 11%, para US$ 2,7 bilhões.
Segundo os economistas, as ações brasileiras perderam atratividade diante da recuperação da economia dos Estados Unidos, que atraiu investidores para Wall Street.
Já a expectativa com a alta de juros no Brasil torna os títulos em renda fixa mais atrativos.
“O investidor compra esses títulos agora para vendê-los quando os juros começarem a cair novamente”, explica Borges. O baixo risco dos ativos brasileiros, somado ao crescimento das captações externas de empresas brasileiras, aumentou a atratividade desses investimentos.
