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30 de novembro de 2016A exigência de que os Estados adotem medidas uniformes de ajuste fiscal para receberem cerca de R$ 5 bilhões da multa da repatriação vai de encontro ao acordo fechado na semana passada pelos governadores e pela equipe econômica, disse nesta segunda-feira o secretário de Fazenda do Rio Grande do Norte, André Horta. Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Fazenda (Consefaz), Horta entende que os Estados possam escolher medidas mais condizentes com a realidade local.
Segundo Horta, nenhum ponto é comum a todas as unidades da federação.
— Respeitando a diversidade dos Estados, é mais fácil de chegar a um pacto do que uma camisa de tamanho único — comparou, após participar de reunião de quatro horas no Ministério da Fazenda com o secretário-executivo da pasta, Eduardo Guardia, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, e secretários de Fazenda de 24 Estados.
Órgão formado pelos secretários de Fazenda, o Consefaz auxilia o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), formado pelos governadores. Para Horta, não existe a necessidade de todos os Estados aderirem à proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos ou que aumentem a contribuição à Previdência dos servidores estaduais, como proposto pelo governo federal.
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— Quando se discute que vai ser um formato de cardápio, vai aplicar conforme a realidade do seu estado permita. Se o Estado de Rondônia, por exemplo, não tem problema atuarial (nas contas da Previdência Social no futuro), uma contribuição previdenciária de 14% (em vez de 11%) vai ser muito dura para ele e pode ser muito leve para outros — disse o secretário.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou, após reunião entre governadores e o presidente Michel Temer, a liberação de R$ 5 bilhões para as unidades da federação oriundos das multas do programa de regularização de recursos no Exterior, conhecido como repatriação. Em troca, os Estados e o Distrito Federal teriam de apoiar uma PEC que limita o crescimento dos gastos estaduais à inflação do ano anterior e aumentar, de 11% para 14%, a contribuição para os regimes de Previdência dos servidores locais.
De acordo com o secretário de Fazenda do Rio Grande do Norte, a reunião de governadores do Nordeste, na última sexta-feira, mostrou a insatisfação dos governadores com o que chamou de \”caráter impositivo\” do acordo. Segundo Horta, a liberação dos R$ 5 bilhões da multa da repatriação deveria ocorrer de forma paralela à votação das medidas de ajuste fiscal nos Estados, sem a vinculação de exigências entre os dois processos.
— O ministro Meirelles falou isso. Depois os governadores do Nordeste disseram que talvez essa não seja a melhor forma de ajustar o que está se tratando. À noite, aquela entrevista (do ministro) foi na forma de condicionante (obrigações), que não está assinada. Está assinada na forma de um cardápio de medidas. O ministro está propondo uma forma, e os governadores podem fazer uma contraproposta — declarou Horta.
Na reunião desta segunda-feira, os secretários de Fazenda apresentaram alternativas à proposta que cria um teto estadual para os gastos públicos. Originalmente, a equipe econômica propôs que os gastos sejam limitados à inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano anterior. No entanto, os Estados propuseram duas novas fórmulas: correção pelo IPCA ou receita corrente líquida (RCL) do ano anterior, prevalecendo o menor valor, e correção pelo IPCA ou 90% da RCL do ano anterior, prevalecendo o maior valor.
Em nota, o Ministério da Fazenda informou que o encontro desta segunda-feira serviu para detalhar o conjunto das medidas de ajuste fiscal que constarão do pacto nacional pelo equilíbrio das contas públicas, cujas linhas gerais foram apresentadas em reunião com o presidente da República e o ministro da Fazenda na última semana. De acordo com a pasta, o resultado dessas negociações será submetido pelos secretários de Fazenda aos respectivos governadores para posterior discussão com o ministro da Fazenda.
Na quinta-feira, os secretários de Fazenda voltam a reunir-se com a equipe econômica para definir medidas de ajuste fiscal. Posteriormente, será marcado um novo encontro entre Meirelles e os governadores para a assinatura do acordo.
