The rise in financial crime in America
29 de julho de 2009Alcoa Razes Rain Forest in Court Case Led by Brazil Prosecutors
31 de julho de 2009Um grupo de empresas brasileiras pretende influenciar a posição do governo brasileiro nas negociações sobre mudanças climáticas, em especial na conferência de Copenhague, em dezembro. Elas querem que o Brasil assuma metas para a redução de emissão de gases de efeito estufa. O grupo, formalizado ontem em encontro na capital paulista, estudará propostas a serem levadas pelo país à conferência, assim como contribuições das próprias empresas para a redução das emissões. Um documento será entregue em setembro à Presidência da República com o resultado das discussões.
O grupo é formado pelas companhias Suzano Papel e Celulose, Light, Rhodia, Shell, Arcelor Mittal, Klabin, Ambev, AES e Brenco , e pelas entidades União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e Conselho Superior do Agronegócio (Cosag-Fiesp).
As empresas querem desconstruir o argumento de que assumir compromissos internacionais com metas é prejudicial à economia do país. O grupo aguarda mais adesões, segundo Walfredo Schindler, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), coordenadora do projeto. “Estamos atentos ao tempo para não corrermos o risco de encontrar o governo com as suas posições já firmadas”, diz ele.
As empresas consideram que o Brasil tem mantido posição conservadora nas negociações sobre mudanças climáticas. Segundo Eduardo Viola, professor da Universidade de Brasília (UNB), o mundo passou por grande transformação ao colocar o clima como tema central e o Brasil não pode ficar preso à cobrança das responsabilidades históricas dos países ricos. “Hoje, a União Europeia lidera o debate, propondo reduzir 20% das emissões até 2020. Os EUA mudaram sua posição e indicam a possibilidade de reduzir em 3% as emissões no mesmo período. A China apresenta um plano consistente de transição para um modelo mais limpo. O Brasil precisa assumir suas responsabilidades”, diz o professor, responsável pelo estudo sobre as estratégias do Brasil nas negociações internacionais.
O engenheiro Roberto Schaeffer, da Coppe/UFRJ, que elabora o estudo sobre o uso da energia, diz que a indústria brasileira tem grande potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas que são necessários incentivos públicos para viabilizar as mudanças. “É possível reduzir em 40% as emissões da indústria até 2030, mas a maior parte das ações dá menos retorno que investimentos nas atividades-fim das empresas.” Ele defende que é preciso estreitar a distância entre o retorno dos investimentos para tornar a busca de eficiência energética e a substituição de combustíveis, por exemplo, mais atrativas.
“Ninguém sabe ainda os custos de assumir compromissos de redução de emissões, mas é preciso achar um equilíbrio entre esse custo e a atividade das empresas. Dizer hoje que não vamos nos comprometer com as mudanças climáticas é irreal”, diz Britaldo Soares, presidente do grupo AES.
“O assunto deixou de ser apenas de ONGs e cientistas para ser tratado por países e empresas. Precisamos assumir metas obrigatórias, pois a responsabilidade também é nossa”, diz Marcos Sawaya Jank, presidente da Unica.
O presidente da Suzano, Antônio Maciel Neto, também chamou atenção para a necessidade de envolvimento do empresariado. “É muito importante que o setor empresarial aprofunde essa discussão e tenha proposições objetivas para abraçar.” Ele defende mais incentivos às florestas plantadas, atividade realizada pela papeleira.
Diferente da realidade mundial, em que 80% das emissões de gases de efeito estufa são resultantes da geração e do uso de energia, no Brasil o maior responsável pelas emissões é o desmatamento (60%), seguido pela pecuária, com 25%, e por último a energia, com 15%. Dessa forma, a preservação das florestas brasileiras é um dos principais focos do grupo.
Segundo Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e responsável pelo estudo sobre os desafios para a redução do desmatamento da Amazônia, é preciso uma visão integrada. “O desmatamento está ligado ao uso da terra, ou seja, às demais atividades, agropecuária e industrial”, diz.
Para o pesquisador, o Brasil tem um papel fundamental na defesa da preservação florestal e é preciso pensar incentivos que valorizem a mata conservada. “Manter florestas também tem de significar ganho, vantagem competitiva. É preciso reconhecer os esforços de quem preserva com o pagamento de compensações”, diz. Segundo Moutinho, só a fiscalização e uma boa legislação não são suficientes para barrar o desmatamento. “Fiscalizar tem os seus limites e a legislação pode ser alterada.”
A pecuária também tem uma contribuição importante para dar, segundo o professor da Esalq-USP, Carlos Cerri. Segundo ele, é preciso aumentar o número de gado criado por hectare para conseguir atender à necessidade de aumento da produção sem expansão da área utilizada. “O foco tem de ser o aumento da produtividade. Hoje criamos menos de um animal por hectare e para melhorar essa relação é preciso investir em fertilização da pastagem e em criação por confinamento”, diz.
