European Commission financial tax opposed by UK
28 de setembro de 2011BC reduz previsão do PIB e eleva a do IPCA
30 de setembro de 2011A luz vermelha acendeu de vez para o ritmo de execução dos
investimentos do governo federal e já causa grande mal-estar na
Esplanada dos Ministérios. A presidente Dilma Rousseff tem manifestado
insatisfação com a velocidade dos investimentos no primeiro ano de
governo.
Ela cobrou uma aceleração do ritmo de pagamento das despesas
de investimentos no fim do segundo semestre, mas faltando apenas três
meses para terminar 2011 dificilmente o governo conseguirá recuperar o
atraso.
O problema é que o governo enfrenta dificuldades para gastar.
A máquina administrativa ainda está emperrada, principalmente nos
ministérios afetados pela “faxina” da presidente. Segundo fontes da área
econômica, muitos ministérios têm dinheiro em caixa, mas não conseguem
tocar os investimentos.
É no Ministério dos Transportes onde estão os maiores
problemas. Como a pasta tem peso importante no total de investimentos
(com estradas e ferrovias), a troca de comando praticamente paralisou as
obras. Mas há problemas também em outras áreas, como nos Ministérios
das Cidades, Integração Nacional e na Educação, segundo informam os
técnicos.
A lentidão afeta sobretudo investimentos que não fazem parte
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para eles, o Tesouro
libera os recursos e cabe ao gestor de cada ministério direcionar o
dinheiro, que pode ir para investimentos ou para outras despesas de
custeio. E é aí que reside a bronca da presidente, pois é nessas verbas
que se concentra a paralisia.
De janeiro a julho, o volume de recursos desembolsados para
quitar investimentos está 2,4% menor do que o do mesmo período de 2010.
Os dados relativos ao mês de agosto serão divulgados nesta quinta-feira,
29, pelo Tesouro. Eles deverão mostrar alguma reação dos investimentos,
mas não na intensidade necessária para mudar o quadro e o humor da
presidente.
A inquietação é tanta que o secretário do Tesouro, Arno
Augustin, até mudou o tom de seu discurso. Normalmente confiante, ele
colocou o dedo na ferida em entrevista ao Estado na semana passada, ao
afirmar pela primeira vez que está preocupado com a velocidade dos
investimentos. “O ritmo não é ideal”, advertiu, em clara repreensão aos
gestores da Esplanada.
Além das dificuldades gerenciais, o desempenho mais fraco dos
investimentos é explicado por um efeito estatístico. Em 2010, o governo
pagou no início do ano uma parcela pesada de recursos para a fabricação
do submarino nuclear da Marinha Brasileira, o que não se repetiu esse
ano. Por isso, a comparação se mostra desfavorável para 2011.
Aperto fiscal. As dificuldades no dia a dia
da Esplanada se chocam com as análises mais difundidas no mercado
financeiro, pelas quais o pé no freio no investimento decorre da decisão
de política econômica de fazer um aperto fiscal maior em 2011. Há, de
fato, uma decisão de reforçar a política fiscal. Mas a execução do plano
é imensamente facilitada pela dificuldade em gastar e, principalmente,
pelo desempenho da arrecadação, que tem surpreendido a cada mês.
Nos cálculos feitos para garantir os R$ 10 bilhões a mais de
superávit primário (economia para pagamento da dívida) que o governo
prometeu fazer este ano, o governo já levou em consideração o pagamento
de grande parte dos cerca de R$ 34 bilhões previstos no PAC e no
programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo apurou o Estado, há espaço
fiscal para o aumento dos investimentos sem afetar o compromisso com o
cumprimento da meta.
O governo também está tendo de lidar com outro problema: a
aceleração dos gastos com o pagamento de subsídios do programa Minha
Casa, Minha Vida. Embora o programa esteja incluído no PAC, as despesas
com os subsídios para construção das moradias são contabilizadas como
custeio e não investimento. Por isso, o governo estuda alterar essa
forma de contabilidade.
