Fiador pode ser executado individualmente como devedor
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3 de dezembro de 2014A Mahindra está em um processo de globalização. A empresa tem de crescer. Na Índia, já é a número 1. A possibilidade de expansão lá e em toda aquela parte da Ásia está difícil. A globalização passa por novos mercados, entre os quais a Austrália, o Brasil e a Turquia. São os mais pujantes, atrativos. O Brasil é uma consequência. Pelo porte dos nossos produtos, pela potência dos nosso tratores, é mais adequado para o tipo de agricultura que se pratica na região sul do país, de propriedade média, pequena.
Fazer investimentos no Brasil neste momento, em que há redução de vendas no setor e a economia vive um momento de retração, não é um risco?
Todo negócio é um risco. Agora, realmente é um problema. Quando desenhamos o projeto Mahindra, o dólar estava a R$ 1,70, mais ou menos. Foi feito todo um planejamento na casa de R$ 2. Hoje, está acima de R$ 2,50, e os rumores são de que o dólar vai ficar nessa faixa mais alta. É preciso muito sangue frio nesta hora. A gente busca uma condição de contornar um pouco isso. Uma coisa que impacta para todo mundo é que hoje não existe fabricante que não tenha seu custo afetado pelo dólar. Todos têm, trazem componentes de fora. O dólar vai impactar a todos, uns mais, outros menos.
No caso da Mahindra, o custo operacional não é maior, já que as peças são remetidas à Índia para homologação?
Temos uma administração e uma engenharia muito enxutas. Trabalhamos online com o departamento de pesquisa e desenvolvimento em Chennai, na Índia, para ter um custo administrativo e de operações mais baixo. A estrutura é menor do que todos os concorrentes, para tentar, com isso, ser competitivo no mercado.
O impacto do dólar poderia fazer vocês reverem o plano de expansão e crescimento no Brasil?
Claro que sim. Em um cenário de dificuldades, todo investimento está sujeito a revisão. A gente não quer isso, ninguém quer. Mas somos só um ator da economia, não somos gestores. Já fizemos algumas adequações para a nova realidade. É óbvio que quando fizemos o planejamento, não foi em cima de um cenário só. A gente sempre faz o que consideramos o ideal, o pessimista e o otimista. Está no pessimista agora.
Como você vê a entrada de fabricantes asiáticas no mercado brasileiro, dominado por marcas tradicionais?
Vejo de forma natural. Isso é do jogo, todas vão querer sua fatia de mercado e cada uma vai usar sua estratégia para pegar a maior parte. Comparando alguns fabricantes tradicionais, percebe-se que deram uma boa revisada. É assim mesmo, tem de revisar e modernizar, senão serão atropeladas.
O pós-venda tem feito muita diferença na compra de máquinas e implementos. Qual a estratégia de vocês?
Esse é um dos pontos em que a gente pode fazer uma grande diferença. Se não tivermos um pós-venda do mesmo nível ou melhor, não vamos entrar no mercado. Isso é feito com o básico: estando junto do cliente. Nossa regra é não ter trator parado. Esse é o mantra, a cartilha que todos terão de rezar. O pós-venda é a chave do sucesso.
A Mahindra
— Sede: Mumbai, Índia
— Ramos de atuação: produção de carros, motos, tecnologia da informação, aviões, bancos e resort
— Tamanho: cinco fábricas na Índia e uma no Brasil. Cinco linhas de montagem
nos Estados Unidos, duas na China e uma na Austrália
— US$ 25 bilhões é o faturamento anual do grupo
— 235 mil tratores são produzidos por ano em todas as unidades da empresa
