Obama says he wants oil producers to boost output
27 de abril de 2011Brazil’s Oi reports Q1 net loss of $250 mln
29 de abril de 2011A ideia de que o casamento real poderá fortalecer a combalida economia
do Reino Unido não passa de conto de fadas. O estímulo trazido pelo
aquecimento do turismo e do comércio e a confiança criada pelo
sentimento de orgulho nacional terão efeito apenas no curto prazo. Ainda
assim, esse impacto tende a ser anulado pela sucessão de feriados ao
redor do evento, que reduzirá a produção, conforme analistas consultados
pela Agência Estado. Para alguns, o resultado sobre o Produto Interno
Bruto (PIB) do Reino Unido é até mesmo negativo.
Assim que o Big Ben der as 12 badaladas na próxima sexta-feira (29) à
noite, os britânicos terão de encarar novamente o clima de austeridade
fiscal imposto pelo governo e o aumento do custo de vida causado pela
inflação.
Depois da retração de 0,5% registrada nos últimos três meses de 2010,
o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido voltou a subir no primeiro
trimestre deste ano, com alta na mesma proporção, de 0,5%. Ou seja, nos
últimos seis meses, a atividade ficou estagnada. O desempenho já adia a
perspectiva de aperto monetário pelo Banco da Inglaterra.
“Não acreditamos que o casamento real terá qualquer impacto
significativo na economia britânica”, afirmou Chris Crowe, analista do
Barclays Capital. “O efeito do casamento deve ser neutro sobre o PIB do
segundo trimestre”, concorda Stuart Green, economista do HSBC.
Lojas, vendas e festas
Existe a expectativa de crescimento das vendas no varejo. Londres já
está decorada para a festa e as vitrines estão recheadas dos mais
variados produtos estampados com William e Kate Middleton. Muitas
famílias irão comemorar a ocasião com os tradicionais almoços de rua, o
que tende a puxar as receitas dos supermercados.
A New West End Company, que representa 600 varejistas do centro
londrino, informou que, em três dias do feriado de Páscoa, dois milhões
de pessoas foram às compras, um aumento de 4,1% sobre 2010.
O turismo também ganhará impulso. A agência nacional Visit Britain
estima que 600 mil turistas estarão na cidade somente para o casamento,
elevando o número total de visitantes em Londres para 1,1 milhão na
próxima sexta-feira (29).
Pelos cálculos da Verdict Research, unidade da consultoria
Datamonitor, o evento pode representar um incremento de 620 milhões de
libras (cerca de US$ 1 bilhão) para a economia do Reino Unido.
“Sem dúvida haverá algum estímulo, principalmente no setor de
turismo, mas os efeitos serão transitórios e sem sustentabilidade”,
disse Charles Diebel, estrategista-chefe do Lloyds Bank.
Além disso, os analistas avaliam que o efeito positivo sobre o
comércio e o turismo terá o contrapeso negativo da perda de produção em
abril. Isso porque as pessoas estão tirando férias para aproveitar as
folgas previstas no calendário, o que tende a reduzir a produção.
Mega feriadão de 11 dias
Entre 22 de abril e 2 de maio, serão apenas três dias úteis no país,
espremidos entre a Páscoa, o feriado nacional do casamento e a folga
tradicional da primeira segunda-feira de maio. Ou seja, muitos estão
emendando um mega feriadão de 11 dias. “Isso vai representar uma
produção menor do que o usual no segundo trimestre”, acredita John
Hydeskov, analista-chefe do Danske Bank.
“O efeito líquido do casamento é negativo.”
O economista Paul Mortimer-Lee, do BNP Paribas, também avalia que a
união de William e Kate vai pesar negativamente sobre a produção e o PIB
do segundo trimestre, algo como uma queda de 0,25% ou de 0,50%. Para
ele, os feriados tendem a estimular o turismo externo e reduzir os
gastos domésticos. Além disso, o comércio vai girar em torno de itens
importados, como os souvenirs. “O brinde ao casal real será feito com
champagne francês.”
Os especialistas fazem uma comparação com a comemoração do
aniversário de 50 anos do reinado da rainha Elizabeth II, o Golden
Jubilee, em junho de 2002. O acontecimento desacelerou o crescimento do
país para 0,2% no segundo trimestre daquele ano.
Na atual era de austeridade fiscal, o governo não divulga qual será o
gasto com o casamento. A festa será bancada pela rainha, mas os custos
com segurança e transporte ficarão na conta dos contribuintes. A união
do príncipe Charles e Diana Spencer, em 1981, custou 30 milhões de
libras (cerca de US$ 50 milhões) e estima-se que o evento da próxima
sexta-feira será mais caro – embora não seja possível precisar a cifra.
Depois de ter saído de uma longa recessão, a economia do Reino Unido
ainda patina. A alta do preço da energia e dos alimentos está afetando a
renda e o consumo da população. A estratégia de cortes de gastos do
governo, os mais severos desde a Grande Depressão, também traz
incertezas para os próximos meses.
Como a agência nacional de estatística atribui a queda de 0,5% do PIB
no último trimestre de 2010 ao inverno rigoroso, a alta de 0,5%
registrada nos primeiros três meses deste ano apenas anula o efeito da
retração. “O crescimento atual é igual a zero, um resultado muito ruim,
principalmente porque o impacto total dos cortes do governo ainda será
sentido”, disse Crowe, do Barclays Capital.
Para realmente ter engatado ritmo sustentável, a economia precisaria
ter avançado 1% no primeiro trimestre, estima Hydeskov, do Danske Bank.
“O resultado divulgado hoje é decepcionante.”
Os analistas já não contam com alta dos juros na reunião do Banco da
Inglaterra na próxima semana, como chegou a ser considerado semanas
atrás, quando a inflação superou 4%. Mesmo com os preços em alta, os
especialistas acreditam que não existe ambiente para aperto monetário
neste momento e o BC inglês só deve começar a elevar a taxa no segundo
semestre.
