After Olympic party, hard work ahead for Brazil
5 de outubro de 2009Onda regulatória faz vítimas além do sistema financeiro
13 de outubro de 2009A crise ainda não acabou, mas o processo de retomada dos investimentos estrangeiros no Brasil é crescente. Para os escritórios de advocacia, a boa notícia é que a receita das bancas têm acompanhado esse movimento. A avaliação é dos advogados CEOs das maiores bancas do Brasil que, mesmo no auge da crise econômica mundial, continuaram a lucrar, ainda que com serviços menos rentáveis.
Nesse caso, os advogados foram chamados para “apagar o incêndio” de inúmeras empresas, por meio da atuação em planejamentos tributários, reestruturação de dívidas e renegociações de contratos. Agora, com a volta dos investimentos estrangeiros, os profissionais do direito já sentem no caixa o impacto da demanda para operações de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês), emissões de dívida no exterior e grandes operações de fusões e aquisições.
“Os estrangeiros querem investir no Brasil e, muitas vezes, nem sabem exatamente em que, mas querem”, diz o consultor de empresas e diretor do MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos. De acordo com a análise do consultor, o aumento da demanda por advogados para atender o mercado de capitais confirma a previsão de um grande ingresso de recursos no país. “Só o valor das emissões de ações no mercado interno pode chegar a até R$ 20 bilhões”, estima o economista.
A partir de 2004, a área de mercado de capitais dos escritórios de advocacia viu os negócios crescerem até 2008. Em dezembro do ano passado, porém, a crise encerrou ou adiou operações milionárias de IPOs, fusões e aquisições. Por meio dessas transações, as bancas acabavam fechando um pacote de serviços, de longo prazo, com as empresas assessoradas nas operações de mercado de capitais. No Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados, como na maioria das grandes bancas, não foi preciso cortar funcionários. O que aconteceu foi a realocação de profissionais que cuidavam de mercado de capitais para outras áreas como reestruturação de dívidas, por exemplo.
Apesar do lucro advindo dessas operações, a previsão dos escritórios de advocacia consultados pela reportagem era da manutenção ou queda do faturamento de até 25% em 2009, em comparação com 2008. Hoje, a perspectiva é de crescimento de até 20%. Segundo Ronald Herscovici, CEO do Souza, Cescon, houve casos de compra e venda internas decorrentes da crise, mas agora está voltando o interesse de grandes investidores dos Estados Unidos, Europa e Ásia. O escritório assessora, por exemplo, a francesa Vivendi na compra da GVT por R$ 5,4 bilhões. “Muitas são operações que já estavam nos planos dos investidores, mas foram represadas por causa do cenário de incerteza anterior”, afirma.
Até agosto, amargar uma queda de cerca de 5% no faturamento de 2009 era a previsão otimista do Pinheiro Neto Advogados. “Hoje estamos envolvidos em 30 operações de fusão ou aquisição”, comemora o CEO da banca Alexandre Bertoldi. Os setores envolvidos são diversos como sucroalcoleiro, alimentos e varejo. O escritório representou a JBS, por exemplo, na associação com a Bertin. Já o Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados previa queda de 25% no primeiro semestre deste ano. Hoje, segundo o advogado Roberto Quiroga, diretor-geral do escritório e sócio-fundador, a banca é responsável por mais de dez ofertas de capital e mais de dez novas fusões e aquisições. Temendo as consequências da crise, o escritório chegou cortar cerca de 30 advogados. “Mas, este ano já vamos reiniciar as contratações”, diz.
A construção da fábrica da Hyundai, em Piracicaba, interior de São Paulo, que corresponde a um investimento de US$ 600 milhões, foi uma das primeiras grandes demandas estrangeiras a aparecer no pós-crise, no escritório de advocacia TozziniFreire. “O pior já passou, sem dúvida”, comenta o CEO da banca Ricardo Ariani sobre a retomada dos investimentos estrangeiros. O advogado afirma que diversas operações societárias sob a responsabilidade do escritório ficaram em compasso de espera desde o fim do ano passado. Nos últimos quatro meses, porém, a banca firmou 17 contratos de fusões e aquisições. Na comparação do faturamento de julho, agosto e setembro de 2008 com o mesmo trimestre em 2009, a banca teve um incremento de 15%, segundo Ariani. A expectativa da banca é fechar o balanço deste ano com faturamento de 5% a 10% acima dos números de 2008.
Os profissionais remanejados de área dentro do escritório de advocacia Demarest & Almeida, em razão da crise, como os advogados do setor consultivo que comandam as auditorias, já estão voltando para seus postos originais. Um dos primeiros IPOs com o arrefecimento da crise foi assessorado pelo escritório: o IPO da MRV. “Se não houvesse essa retomada a previsão era de manutenção do faturamento do ano passado”, diz o CEO da banca Mário Roberto Nogueira. Atualmente, o escritório tem cerca de 15 fusões e aquisições em andamento. Com isso, a expectativa de crescimento do faturamento corresponde a 10%, em relação ao ano passado.
Um dos diretores do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa), organização que reúne cerca de 800 escritórios de direito, o advogado Fernando Sálvia, da banca Martins & Sálvia Advogados, lembra que a geração de negócios e as decorrências jurídicas dessas operações são as melhores oportunidades para o mercado de advocacia crescer. Por isso, para Sálvia, a perspectiva para 2010 é bastante forte. Isso porque será um ano de retomada econômica mundial, somada aos investimentos relacionados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. “Todos esses fatores juntos exigirão uma assessoria jurídica rápida e eficiente, de padrão internacional”, diz.
