The rise and rise of Brazil: Faster, stronger, higher
28 de setembro de 2009UBS Seeks Return to Brazil in Brokerage or Banking, Valor Says
30 de setembro de 2009A política anticíclica produzida pelo Estado brasileiro neste ano como forma de atenuar os efeitos da crise econômica mundial pode gerar problemas no médio prazo. O Banco Central (BC) alertou pela primeira vez, em seu relatório de inflação divulgado na semana passada, para os riscos de aceleração da inflação de preços a partir do próximo ano como decorrência dos estímulos fiscais e aumento dos gastos públicos promovidos pelo governo federal ao longo de 2009. Com a retomada do crescimento – o PIB deve alcançar 5% em 2010 – empresários e analistas reunidos no Congresso da Indústria, realizado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), voltam os olhares para a retirada dos estímulos fiscais da economia.
“A situação fiscal do Estado está dramática. Teremos graves problemas no médio prazo e isso será um grande empecilho para a retomada do crescimento”, afirmou José Roberto Mendonça de Barros, economista da MB Associados. Para ele, é hora de “recuperar aquilo que foi gasto no sufoco da crise”.
Segundo Murilo Portugal, diretor-adjunto do FMI , “a retomada da sustentabilidade fiscal é muito importante”. Uma das principais tarefas do pós-crise será a restauração do equilíbrio nas contas públicas. Com a queda na arrecadação, devido à diminuição de atividade e às isenções fiscais concedidas, seria necessário maior controle das despesas para se evitar um retorno da inflação, defendem os analistas.
“É preciso atentar para o hiato do produto, maior nos países ricos, que representa grande risco no médio prazo”, afirmou Portugal. A diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) potencial e o PIB efetivamente registrado é o que se convencionou chamar de hiato do produto. Quanto menor essa diferença, melhor opera um país. Crises econômicas diminuem o PIB potencial, relativizando um crescimento menor – ou mesmo uma recessão – no PIB. “Após o primeiro choque do petróleo, em 1973, quando o PIB potencial mundial diminuiu, a política monetária das nações continuou expansionista, gerando distorções que desembocaram numa crise mais forte, na década de 1980”, afirmou o diretor-adjunto do FMI, alertando para os riscos que uma política expansionista prolongada pode gerar.
“O desafio fiscal será importante no Brasil nos próximos anos, mas o governo já anunciou que vai retirar alguns estímulos entre o fim deste ano e o começo de 2010”, disse Portugal.
Uma das medidas de combate à crise promovidas pelo governo foi a redução do IPI sobre automóveis e eletrodomésticos da linha branca. Segundo planos do governo, a cobrança de IPI deve ser paulatinamente restituída até o fim do ano.
“Há problemas com gastos públicos elevados, mas isso não deve ser combatido com a retirada das desonerações de impostos”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp. “O governo está muito consciente de que essas desonerações devem ser mantidas”, disse.
