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24 de março de 2010As contas externas do Brasil estão em franco processo de deterioração. Pela primeira vez, em nove anos, o total de investimentos estrangeiros diretos previstos para entrar no país não será suficiente para cobrir o rombo nas transações correntes com o exterior — parte significativa do balanço de pagamentos brasileiro que inclui a conta comercial, os gastos com juros e as remessas de lucros. Pelos novos cálculos do Banco Central (BC), o buraco nas transações correntes fechará 2010 em US$ 49 bilhões (três meses atrás, a estimativa era de US$ 40 bilhões), para investimentos de US$ 45 bilhões. A última vez que se registrou tal descompasso, em 2001, criou-se um clima de instabilidade que ajudou a empurrar a economia para uma grave crise cambial.
Boa parte do aumento do deficit — US$ 5 bilhões — virá da balança comercial, pois, com a retomada da atividade, o vigoroso consumo das famílias e o dólar girando entre R$ 1,75 e R$ 1,80, as importações estão bombando. Segundo o BC, enquanto as previsões para as exportações foram revisadas de US$ 170 bilhões para US$ 173 bilhões, as estimativas para as compras no exterior saltaram de US$ 155 bilhões para US$ 163 bilhões. Resultado: o saldo comercial será de apenas US$ 10 bilhões ante os US$ 15 bilhões projetados em dezembro do ano passado. “Fizemos uma revisão para mais tanto nas exportações quanto nas importações”, tentou minimizar o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes.
Ele admitiu, porém, que esse é o preço a ser pago pelo fato de o Brasil ter se recuperado mais rápido da crise mundial do que as economias mais ricas do mundo, que consomem os nossos produtos. Assim, é questão de fazer as contas. Ao se aumentarem as importações, elevam-se os gastos com transporte, com fretes e aluguel de equipamentos. Além disso, o emprego e a renda em alta levam as pessoas a gastar mais, inclusive com cartões de crédito e em viagens internacionais.
Fevereiro terrível
Mesmo com a expressiva piora das contas externas, o chefe do Depec não demonstrou preocupação. “Seria bom se o deficit em conta corrente fosse coberto pelos investimentos diretos, mas temos que considerar as demais fontes” alegou. Ele citou como complemento de renda o investimento estrangeiro em títulos públicos e em ações — as estimativas passaram de US$ 25 bilhões para US$ 35 bilhões. Para Lopes esse “complemento” no financiamento não é de qualidade ruim, mesmo não sendo de longo prazo, como desejado.
O economista do BC observou que há um olhar positivo do investidor estrangeiro para o Brasil, graças à boa perspectiva para a economia, com crescimento sustentado. Também é preciso considerar que as empresas brasileiras voltaram a obter crédito fora do país. No mês passado, a piora dos números foi generalizada. O deficit em transações correntes, de US$ 3,251 bilhões, foi o mais alto da série do BC, iniciada em 1947, para meses de fevereiro.
BALANÇA EM BAIXA
A balança comercial brasileira registrou deficit de US$ 48 milhões na terceira semana de março. Com esse resultado, o saldo acumulado no mês caiu de US$ 582 milhões para US$ 534 milhões. No ano, o saldo ficou em US$ 761 milhões. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, entre os dias 15 e 21, as vendas do país ao exterior somaram US$ 3,416 bilhões e as importações, US$ 3,464 bilhões. Na média, o superávit caiu US$ 9,6 milhões por dia útil ante a semana anterior. Na comparação com a terceira semana de 2009, o recuo médio diário foi de 65,9%.
