Inflation in China Poses Big Threat to Global Trade
18 de abril de 2011Primeira exportação brasileira do pré-sal segue em maio para o Chile
20 de abril de 2011O risco do Brasil percebido pelos investidores globais nunca foi tão
baixo se comparado ao dos Estados Unidos, considerado referência em
segurança financeira. Na semana passada, a diferença entre as medidas de
risco dos dois países alcançou o menor nível da história: 0,60 ponto
porcentual. Segunda-feira à tarde, estava em 0,62 ponto porcentual.
Esses números foram extraídos das negociações com um derivativo
financeiro amplamente negociado no mercado, chamado CDS (Credit Default
Swap, em inglês). Esse papel é um tipo de seguro vendido a investidores
que querem se proteger de um eventual calote.
Se alguém quer comprar títulos públicos brasileiros e, ao mesmo
tempo, se proteger, utiliza o CDS. Ontem, pagava 1,1% ao ano em dólar
para este fim. Para se proteger de eventual problema nos EUA, a taxa
estava em 0,48% ao ano. O mercado de CDS movimenta trilhões de dólares
mundo afora e o do Brasil é um dos mais negociados.
O que ocorre hoje é fruto de três movimentos. “De um lado, espelha a
melhora da percepção de solvência do Brasil. De outro, é fruto da enorme
liquidez global”, explica o economista Dany Rappaport, sócio da
InvestPort Consultoria e Gestão de Recursos. “Ou seja, em relação
especificamente ao Brasil, há uma razão estrutural e outra conjuntural,
que catalisa a estrutural.”
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s e o
ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Alan
Greenspan jogaram luz sobre um terceiro fator: uma deterioração na
confiança de os EUA honrarem sua dívida. Ninguém está dizendo que a
maior economia do mundo vai dar um calote amanhã ou mesmo nos próximos
anos. Mas o risco de isso acontecer tem crescido.
Do ponto de vista do Brasil, estruturalmente, as contas públicas
apresentaram expressiva melhora nos últimos anos. A relação entre a
dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB) saiu de
60% em dezembro de 2002 para os atuais 39,9%. Isso significa que a
probabilidade de o governo brasileiro não honrar o pagamento dos títulos
que emite é muito baixa.
Além disso, a dívida externa foi drasticamente reduzida nos últimos
anos em decorrência, principalmente, do acúmulo de reservas
internacionais. Atualmente, o País tem um colchão superior a US$ 320
bilhões. Segundo analistas, um montante desses assegura ao investidor
uma porta de saída quando – e se – decidir deixar o Brasil.
A melhora da solvência interna e externa foi reconhecida mais uma vez
há duas semanas, quando a agência de classificação de risco de crédito
Fitch elevou o chamado rating do Brasil. O País está agora em um degrau
ainda mais alto na escala que procura medir a capacidade de solvência de
um emissor de dívida.
Liquidez. Do ponto de vista conjuntural, o mundo
vive situação ímpar, que se caracteriza por enorme injeção de dinheiro
no mercado pelos países desenvolvidos. Após o estouro da crise, os
bancos centrais dos EUA e da Europa decidiram fazer o que se chama em
economia de imprimir dinheiro. Com isso, inundaram o mundo com recursos.
Como o Brasil é visto como um porto seguro – pela solvência e também
pelas taxas de crescimento expressivas se comparadas às do resto do
planeta -, tornou-se um natural receptor de uma parte dessa liquidez.
“Na realidade, a queda do risco Brasil é resultado desse fluxo de
capitais para cá”, afirmou o economista-chefe do Banco Santander,
Maurício Molan.
Em termos práticos, esse cenário significa que governo e empresas
brasileiras nunca se financiaram pagando tão pouco. Mesmo quando a farta
liquidez começar a secar, a expectativa é de que o País continue bem
situado.
“Ainda que as contas públicas não sejam uma maravilha e o governo
venha aumentando os gastos ano após ano, nossa situação fiscal é melhor
que a da maioria dos países desenvolvidos”, afirma um analista que pede
anonimato. “Não há hoje risco de solvência no País. A situação fiscal
pobre vai ‘apenas’ atrapalhar nosso desenvolvimento.”
