Brazil’s Tombini walks tightrope at central bank
26 de maio de 2011Temos condições de avançar na regulação cambial, diz Tombini
30 de maio de 2011O Banco do Brasil vai redirecionar sua carteira de microcrétido, hoje voltada predominantemente para o consumo, ao microcrédito destinado à produção e geração de renda entre a população mais carente do país. Até o fim do ano, o programa deverá oferecer uma carteira estimada em R$ 1,5 bilhão. Os juros cobrados dos tomadores, segundo adiantou uma fonte do Banco do Brasil ao Estado de Minas, deverão ficar em 1,2% ao mês.
A virada na destinação de uma verba que representa 2% do depósito compulsório recolhido pelo banco está baseada na consultoria de Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006 e fundador do Grammen Bank, que desempenha papel importante na erradicação da pobreza no mundo elevando a renda da pirâmide social por meio do microcrédito. Ontem, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, assinou protocolo de intenções com a Yunus Centre, empresa do criador do banco do povo, para viabilizar o programa, que começa a operar em julho deste ano.
Yunus, de 70 anos, criou o Grameen Bank e se manteve no cargo de diretor-geral desde 2000 até este mês. Elogiado no exterior por políticos e financistas, caiu no desagrado do governo da primeira-ministra de Bangladesh, Hasina Wajed desde o ano passado, depois que um documentário norueguês alegou que o Grameen Bank estava sonegando impostos. Absolvido na Noruega, ele nega ter cometido irregularidades financeiras. Seus partidários dizem que o governo vem tentando desacreditá-lo por causa de divergências com Hasina, iniciadas em 2007, quando Yunus tentou criar um partido político (de oposição).
O banco dos pobres já entregou cerca de US$ 10 bilhões em pequenos empréstimos, na maioria para mulheres, para financiar negócios e ajudá-las a escapar da pobreza. Chamado de “banqueiro do povo”, Mauhammad Yunus ganhou o Prêmio Nobel em 2006 pelo programa de pequenos empréstimos aos pobres, que resultou na adoção de iniciativas similares em outros países em desenvolvimento.
“Agora o esforço do Banco do Brasil será feito no sentido de transferir o microcrédito voltado ao consumo para o microcrédito produtivo e orientado. Yunus vai trazer a tecnologia do processo criado em Bangladesh e já implementado em vários países do mundo”, disse o presidente do Banco do Brasil. Para Yunus, não haverá dificuldades de implementar a tecnologia social no Brasil. “A necessidade das pessoas daqui não é diferente da de outros países”, disse.
Renda O foco é gerar renda para a população mais pobre. Para isso, segundo Yunus, os candidatos serão visitados em suas próprias casas. “Se uma pessoa tem cama e outra dorme num colchão, a prioridade é para a última”, explicou. Na visão de Bendine, a dificuldade para aplicar o modelo no Brasil é que o país “não detém a tecnologia social para acompanhar e conceder esse crédito”. Um dos poucos exemplos vitoriosos nesse sentido no país é o do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Ele também disse que para implementar o programa, o BB fará capacitação em sua rede de agentes de crédito, que farão o trabalho de campo, o que ocorrerá até o fim deste ano. Hoje, o BB destina R$ 1,1 bilhão por ano ao microcrédito para o consumo. Em Bangladesh, 8,5 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo banco dos pobres.
