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23 de janeiro de 2014Empresas dos EUA não crêem em impacto por redução estímulos
27 de janeiro de 2014A queda mais forte do peso argentino, ocorrida nos dois últimos dias, colocou em alerta investidores do mercado brasileiro.
Ontem, o dólar subiu e fechou no maior preço (R$ 2,395) em cinco meses em relação ao real e a Bolsa registrou uma queda 1,98% do seu principal índice.
Os movimentos tiveram mais relação com dados pouco animadores da China e com novos sinais de redução dos estímulos nos EUA do que com a turbulência do vizinho.
As Bolsas do mundo todo se desvalorizaram e, entre as 24 moedas emergentes mais negociadas, 18 caíram em relação ao dólar, refletindo a aversão geral de investidores a aplicações de maior risco.
Mas as preocupações recaem sobre como investidores estrangeiros possam vir a tratar Argentina e Brasil.
Consideradas economias irmãs até os anos 1990, quando superaram a inflação elevada com regimes de câmbio fixo, Brasil e Argentina dissociaram suas histórias em 2001. A insistência na dolarização da economia levou o vizinho à crise que culminou no não pagamento de sua dívida externa.
O colapso argentino respingou no Brasil e sugou parte do crescimento naquele ano.
Mais de uma década depois, Argentina e Brasil chegam em condições distintas a um novo cenário da economia global. A retomada dos EUA e o consequente afluxo de capitais para a maior economia do mundo afetam o Brasil, mas expõem dificuldades maiores do vizinho. Os países, porém, seguem ligados.
“O Brasil é um dos maiores parceiros comerciais da Argentina. Portanto, uma profunda crise por lá poderia afetar negativamente a já pobre balança comercial brasileira”, diz Tony Volpon, diretor da corretora japonesa Nomura. “Além de fatores psicológicos, há fundamento na ideia de que uma crise teria efeitos no Brasil.”
A Argentina respondeu por 8% das exportações brasileiras em 2013, atrás de China (19%) e EUA (10%). Mas compra produtos industrializados, sobretudo automóveis, que representam um quarto do que o Brasil vende para o vizinho.
Um dos instrumentos do governo para tentar controlar a queda do peso é justamente reduzir as compras externas. Em dezembro, a Argentina avisou que cortaria 27% das compras de carros brasileiros neste ano. E são renitentes as queixas do setor produtivo brasileiro sobre as dificuldades em vender para o país vizinho.
CLIMA
Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, a crise na Argentina cria um clima de desvalorização em todos vizinhos.
“Houve uma piora da perspectiva de risco em relação aos emergentes, principalmente latino-americanos.”
Mas ele pondera: “Ficamos apreensivos com a situação do nosso vizinho, mas seria um equívoco imaginar que o efeito será forte aqui”.
O maior risco seria que o abalo argentino contribuísse para dar mais impulso ao dólar no Brasil. Com base no cenário atual, analistas ouvidos pela pesquisa semanal do BC projetam a moeda em R$ 2,45 ao fim do ano. Uma alta adicional poderia pressionar a inflação e levar o BC a subir os juros ainda mais.
