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8 de setembro de 2014Não é uma declaração de voto que eu faço, mas seria uma evolução natural a eleição de Marina como presidente do Brasil — afirmou o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, quarta-feira à noite, a uma plateia surpresa com a declaração pública do principal executivo do maior banco privado do país a respeito da possibilidade de vitória da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva.
A declaração foi feita durante as comemorações dos 90 anos do banco. Para Setubal, muitas propostas existentes nas candidaturas à Presidência da República não sinalizam mudanças efetivas que, em sua opinião, são necessárias para reverter o quadro negativo da economia brasileira.
— Mas há um exemplo positivo no cenário eleitoral — declarou, ao mencionar, pela primeira vez, o nome de Marina Silva.
PLATEIA DE EMPRESÁRIOS
Setubal não declarou voto diretamente à candidata, mas deixou claro, a convidados ouvidos pelo GLOBO, sua posição no processo eleitoral.
— Foi um burburinho tão grande na Sala São Paulo que ele parou de ler o discurso para afirmar que não estava declarando voto — disse um empresário.
Diante da reação, Setubal chegou a dizer que o comentário não se devia ao fato de usa irmã, Neca Setubal, participar da campanha presidencial da candidata do PSB.
O discurso durou cerca de dez minutos. Ao lado do presidente do conselho administrativo da instituição, Pedro Moreira Salles, Setubal recebeu cerca de mil empresários, executivos do setor e clientes especiais para um coquetel, seguido de um concerto da Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp) na Sala São Paulo, no centro da capital paulista.
ELOGIOS A LULA E A FH
O presidente-executivo do Itaú Unibanco iniciou o discurso lembrando a história do banco e falou que estava feliz por comemorar a data durante o processo eleitoral “que poderá marcar um novo ciclo no país”. Elogiou as conquistas dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na economia e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no campo social, e fez duras críticas à atual condução da economia brasileira.
Ele afirmou que o momento é de pensar no futuro:
— O que será o país daqui para a frente? — perguntou à plateia, antes de iniciar a retórica que o levaria a deixar clara sua simpatia por Marina.
Setubal afirmou que o país não tem atravessado um momento positivo e citou as manifestações de junho do ano passado. Disse que os indicadores de desempenho não estariam “caminhado como deveriam”. Segundo alguns convidados ouvidos pelo GLOBO, ele chegou a declarar que a situação do país é “medíocre”.
Setubal defendeu a tese de que “são necessárias ações efetivas” para recolocar o país no rumo. E afirmou que essas eleições poderiam “mudar o rumo do país”, citando Marina como opção possível nesse cenário de mudança.
O executivo encerrou o discurso dizendo que é preciso acreditar no país, nas suas potencialidades, na geração de negócios. A sua assessoria frisou nesta quinta-feira que ele não “fez declaração de voto e não o fará.”
