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29 de abril de 2014Diante da citação do nome de Alexandre Padilha (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, na Operação Lava a Jato, que investiga esquema de lavagem dinheiro e evasão de divisas com atuação de doleiros em torno de R$ 10 bilhões, a bancada federal da legenda no estado se reúne hoje emergencialmente com o ex-ministro da Saúde para avaliar o estrago eleitoral da denúncia. O encontro não foi divulgado oficialmente. No discurso, petistas avaliaram como bastante positivo o posicionamento do ex-ministro, que negou ligação com o doleiro Alberto Youssef, e não cogitam a substituição do nome dele para a disputa eleitoral. No entanto, nos bastidores, há o temor de que novas revelações enfraqueçam ainda mais Padilha, que ainda patina nas pesquisas de intenção de voto.
Um parlamentar petista ouvido reservadamente pelo Estado de Minas afirmou que a substituição do pré-candidato não foi ventilada no momento, mas “é preciso esperar, porque ainda não sabemos se vem mais coisa por aí”. A avaliação é de que, até agora, as denúncias contra o ex-ministro são “fofas demais e não o vinculam diretamente ao doleiro Alberto Youssef (considerado líder da organização criminosa)”.
Em 2006, em Pernambuco, o senador Humberto Costa (PT-PE) viveu situação parecida. Na ocasião, ele era candidato ao governo do estado contra o governador Medonça Filho (DEM). Ocupava o segundo lugar com folga nas pesquisas, até a Polícia Federal desencadear, em maio, a chamada Operação Sanguessuga, que apurou a máfia das ambulâncias na época em que o petista era ministro da Saúde. Como consequência, Eduardo Campos (PSB) cresceu nas pesquisas, Humberto Costa ficou de fora do segundo turno e o socialista venceu o pleito. Posteriormente, o petista pernambucano foi inocentado de qualquer envolvimento com o esquema investigado.
Na sexta-feira, a presidente Dilma Roussef deve ser reunir com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conversar sobre as denúncias que atingiram petistas e o governo federal, incluindo a situação de Padilha. A estratégia do Palácio do Planalto é deixar a presidente distante de qualquer polêmica relativa a denúncias envolvendo integrantes da legenda na Operação Lava a Jato.
O nome de Padilha surgiu após interceptação de mensagens de 28 de novembro trocadas entre o deputado André Vargas (PR), que se desfiliou do PT na sexta-feira, e o doleiro. Os dois comentam a indicação de Marcus Cezar Ferreira de Moura para a Labogen, um laboratório de fachada utilizado por Youssef para, entre outros ilícitos, realizar remessas de dólares para o exterior. O deputado paranaense, que renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara após as denúncias de envolvimento dele com Youssef, teria passado ao doleiro o contato do executivo e avisado que foi Padilha quem o indicou.
Desagravo Em evento para anunciar o apoio do PCdoB à pré-candidatura do petista ontem, Padilha afirmou que “não tem medo de cara feia e de injúrias”. Coube ao presidente do PT, Rui Falcão, o discurso mais incisivo contra o PSDB paulista, que lançou ofensiva contra o ex-ministro. “A oposição não tem moral para querer fazer algum tipo de debate ético. Eles estão envolvidos no cartel do metrô e outras coisas. São calúnias que não vão prosperar”, afirmou. O presidente do PCdoB em São Paulo, Orlando Silva, que deixou o Ministério do Esporte após envolvimento em denúncias de corrupção, também fez a defesa de Padilha. “O jogo tem que ser jogado em campo. Não adianta querer ganhar a partida antes de o jogo começar.”
A semana promete ser agitada. Os tucanos decidiram acionar o Ministério Público Federal no Distrito Federal para que as revelações em torno de Padilha sejam apuradas. A sigla vai ainda protocolar pedido para que o ex-ministro da Saúde esclareça os fatos na comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.
