GE reports surge in industrial revenues
21 de outubro de 2011Líderes discutem novo acordo para votação dos royalties do petróleo
25 de outubro de 2011Dezenas de cheques de um convênio do Ministério do Esporte mostram que o
descontrole no uso do dinheiro público não atinge só o programa Segundo
Tempo. Pelo menos R$ 1,3 milhão do ministério foi parar no ano passado
na conta de empresas fantasmas ou sem relação com o produto vendido para
o programa Pintando a Cidadania.
Há cheques, por exemplo, de R$ 364 mil, R$ 311 mil, R$ 213 mil, R$
178 mil, R$ 166 mil e R$ 58 mil. O dono de uma empresa destinatária dos
cheques disse ao Estado que desconhece o que foi vendido, alegando ter
“arranjado” a nota fiscal para um amigo receber dinheiro do ministério.
No dia 31 de dezembro de 2009, o secretário de Esporte Educacional,
Wadson Ribeiro, assinou convênio de R$ 2 milhões com o Instituto
Pró-Ação, com sede em Brasília. Ex-presidente da UNE e filiado ao PC do
B, Wadson é homem de confiança do ministro Orlando Silva e assinou, nos
últimos anos, boa parte dos convênios sob suspeita. Segundo o Portal da
Transparência, o convênio com a Pró-Ação foi encerrado em abril deste
ano e está em fase de prestação de contas.
O Pintando a Cidadania atua em parceria com outros projetos do
ministério. para “fomentar a prática do esporte por meio de distribuição
gratuita de material esportivo e promover a inclusão social de pessoas
de comunidades reconhecidamente carentes”.
O contrato com o Pró-Ação menciona uma conta corrente em nome do
convênio. No dia 26 de abril de 2010, o instituto repassou um cheque
dessa conta no valor de R$ 311.346,05 para a empresa Automatec
Tecnologia e Serviços, registrada na cidade de Valparaíso de Goiás como
uma loja de motos, a “Oliveira Motos”. Segundo a nota fiscal emitida, o
dinheiro do Esporte pagou “tecidos, algodão e tinta”. Em entrevista ao
Estado, Marcos Oliveira, dono da Automatec, disse desconhecer o
Pró-Ação: “Não conheço a ONG. Eu arranjei o nome da empresa para um
amigo, a gente joga bola junto”.
Seu amigo é Edinaldo Moraes, dono da Contemporânea Comércio e Serviços,
que também está na prestação de contas da ONG. Cinco cheques do convênio
foram parar na conta dessa empresa. No mesmo dia 26 de abril de 2010,
quando a loja de motos Automatec levou R$ 311 mil, um cheque de R$ 364
mil foi depositado em nome da Contemporânea. A empresa recebeu ao todo
R$ 817 mil para supostamente vender fios de costura, agulhas e tecidos.
No dia 20 de setembro de 2010, auge da campanha eleitoral, a ONG
repassou R$ 213 mil para a Contemporânea.
