Brazil Yields to Slide as Rates Overestimated, Pimco, BofA Say
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1 de fevereiro de 2010No dia de ajustes pós-Copom, os juros caíram ontem no mercado futuro da BM&F. Diante da sucinta e burocrática nota emitida após a reunião – que apenas ratifica o compromisso legal do BC com o sistema de metas de inflação -, os players do DI futuro entenderam que o aperto poderá ser iniciado mais tarde do que o previsto e ter uma intensidade menor que a imaginada. O contrato mais negociado, com vencimento na virada do ano, cedeu de 10,41% para 10,34%. A taxa do swap de 360 dias recuou de 10,55% para 10,51%. O deslocamento assimétrico descrito nos últimos pregões não se repetiu. Antes da reunião de política monetária de quarta-feira, os contratos mais curtos subiam enquanto os mais longos recuavam. Quando isso ocorre, o sinal do mercado é de que acredita que haverá arrocho monetário, mas não já. Se a alta for considerada iminente, os contratos avançam de forma linear. Ontem, a curva desacelerou de forma linear até janeiro de 2013.
Ao abster-se de comentar, como nos anteriores, a margem de ociosidade remanescente dos fatores de produção e a trajetória da inflação, o comunicado pós-Copom – “O Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária” – já forneceu ao mercado a certeza de que está afastada a possibilidade de alta da Selic no encontro de 17 de março, o referido por ele. “Não há fatos concretos para elevação da taxa de juros na reunião que acontecerá em março, mesmo ocorrendo deterioração nas expectativas de inflação”, diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Tal elevação da Selic só poderia ser reconsiderada se, ao contrário da nota desinformativa, a ata, a ser publicada no dia 4, for escrita em tom veemente a favor de um descongelamento imediato da Selic. Em princípio, os analistas descartam essa hipótese.
A maioria deles aponta a reunião de 28 de abril como a mais provável para abrigar o começo de um pequeno ciclo de alta. Há um fator técnico a favor dessa possibilidade. Agostini lembra que entre os Copons de março e abril será divulgado o Relatório Trimestral de Inflação referente ao primeiro trimestre de 2010. E ele “poderá dar pistas contundentes sobre o timing da alteração da taxa básica de juros”. Agostini não abandonou o cenário mais provável traçado pela Austin Rating: a primeira alta de juro, moderada, de 0,25 ponto, deve acontecer entre os meses de junho ou julho. A dose poderá depois ser intensificada para 0,50 ponto, e o ano terminaria com a taxa a 10%.
Há uma incógnita relacionada à reunião de abril: poderá ser o primeiro Copom a ser comandado pelo novo presidente do Banco Central, na hipótese, altamente plausível, de Henrique Meirelles deixar a instituição em março para concorrer a cargo eletivo pelo PMDB. Se for assim, os analistas não afastam a ideia de o novo presidente já ser da equipe econômica da candidata Dilma Rousseff. O mérito é que não haveria transição para outro ocupante caso a ministra fosse eleita.
No mercado de câmbio, o dólar conheceu ontem a sua oitava alta em sequência. Acompanhou a aversão global a risco e a busca por refúgio em ativos denominados em dólar, e fechou em valorização de 0,43%, a R$ 1,8670. Nos últimos oito pregões, já subiu 5,66%. No acumulado do ano, a alta é de 7,11%. E a julgar pelo crescimento do volume de negócios no mercado interbancário de câmbio, as saídas de capital aumentaram. O giro dobrou ontem para US$ 2,4 bilhões. Os operadores apontaram duas razões explícitas para o mau humor reinante nas bolsas de Wall Street. Foram os indicadores decepcionantes relacionados ao emprego e as encomendas à indústria. Os novos pedidos de seguro-desemprego totalizaram 470 mil na semana passada, com queda de 8 mil comparativamente ao dado anterior, de 478 mil. Os analistas esperavam baixa mais substancial, indicativa de uma recuperação mais robusta dos EUA. Não veio. Tal sinalização também foi negada pelos novos pedidos de bens duráveis. Em dezembro, subiram 0,3%, para US$ 167,9 bilhões, quando os economistas previam elevação de 2%.
Mas o motivo implícito para a aversão ainda é a briga entre o governo Obama e os bancos em torno do projeto que impede as instituições de atuar nos mercados derivativos com a desenvoltura e a alavancagem costumeiras. O recuo de Obama no seu discurso foi apenas aparente. O impasse não deve ser resolvido logo. Caso contrário, os hedge funds que operam nos pregões de derivativos cambiais da BM&F não teriam aumentado suas posições compradas em dólar. De um dia para o outro, a alta foi expressiva. Pulou de US$ 5,456 bilhões na terça para US$ 6,658 bilhões na quarta.
