Câmara freia reforma tributária
18 de junho de 2009Queda dos juros desafia fundos de pensão
25 de junho de 2009O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem em evento na capital paulista que o governo deve anunciar em breve novas medidas para impulsionar o nível de atividade no país. Na área de crédito, haverá novidade e redução do custo de modo geral, disse Mantega. O ministro ressaltou que medidas anticíclicas adotadas pelo governo, especialmente pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda, foram essenciais para retomar a demanda agregada no país. Porém, anunciou que outras ações deverão ser adotadas pelo Poder Executivo.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que também esteve no evento, confirmou que o governo vai adotar medidas para estimular investimentos pelas empresas. Segundo Coutinho, o setor que mais preocupa é o de bens de capital (máquinas e equipamentos para empresas), o primeiro a entrar e o último a sair da crise. Queremos ajudar o setor nessa travessia, disse ele. Os dois, porém, não deram mais detalhes sobre essas medidas. Segundo Coutinho, as medidas não foram definidas ainda, sendo alvo de reuniões envolvendo o próprio BNDES e os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento. Depois disso, levaremos ao presidente Lula para a definição, afirmou.
O benefício, porém, não seria permanente – ficaria em vigor até que as empresas se vejam necessitadas a investir. Para Coutinho, isso ocorrerá a partir do quarto trimestre deste ano, quando o uso médio da capacidade instalada da indústria local ficar entre 80% e 81%. Estamos hoje em aproximadamente 87%, disse Coutinho. Mantega citou a desoneração tributária e a redução do custo de financiamento como possíveis meios para ajudar a alavancar os investimentos. O ministro não quis comentar sobre uma possível prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros. Ainda temos duas semanas para as pessoas irem comprar os produtos, lembrou.
O principal ponto de preocupação sobre a manutenção da redução do IPI está relacionado com as contas do governo, já que a arrecadação tributária está em queda. A queda na arrecadação era esperada, mas caiu mais do que o previsto nos últimos dois meses, observou o ministro, levantando inclusive a possibilidade de reduzir o superávit primário (economia feita para o pagamento dos juros da dívida) para equacionar as contas. Se necessário for, faremos novas reduções nos gastos , acrescentou Mantega.
