Obama says he wants oil producers to boost output
27 de abril de 2011Brazil’s Oi reports Q1 net loss of $250 mln
29 de abril de 2011Os alimentos, considerados os vilões do custo de vida desde o fim do
ano passado ao lado dos serviços, devem dar uma trégua à inflação nos
próximos três meses.
O primeiro sinal de perda fôlego dos preços da comida apareceu nas
cotações recebidas pelos produtores. O Índice Quadrissemanal de Preços
Recebidos pela Agropecuária Paulista desacelerou na terceira
quadrissemana deste mês para 0,36%, depois de ter atingido 1,59% na
segunda quadrissemana de abril, segundo o Instituto de Economia Agrícola
(IEA).
“Foi a terceira desaceleração consecutiva e o menor nível do
indicador alcançado desde novembro do ano passado”, observa o
pesquisador do IEA, José Sidnei Gonçalves. Se descontada a
cana-de-açúcar, o indicador registrou deflação de 1,10% na terceira
prévia deste mês.
De 18 preços ao produtor pesquisados, metade registrou deflação no
período, com destaque para laranja (-19,2%), tomate (-17,6%), frango
(-10,6%), arroz (-3,19%) e soja (-3,1%). Até o preço da carne bovina
parou de subir e registrou estabilidade no período.
Para Gonçalves, o efeito da entrada da safra, com a maior oferta de
produtos no mercado, foi magnificado pela valorização do real em relação
ao dólar registrado nas últimas semanas. “Essa desaceleração dos preços
ao produtor deve ter efeito na inflação ao consumidor em três semanas”,
prevê o pesquisador.
Para Antonio Comune, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor
(IPC) da Fipe, o impacto será sentido na inflação de maio. O resultado
da terceira quadrissemana de abril divulgado ontem foi 0,65%,
ligeiramente acima da quadrissemana anterior (0,61%). Gasolina e álcool
combustível responderam por mais de um terço (36%) do IPC-Fipe da
terceira quadrissemana de abril.
Comune calcula que a inflação deste mês fique em 0,65%, mas observa
que o patamar médio mensal da inflação recue para 0,40% no período, se
governo não reajustar a gasolina. Entre as hipóteses consideradas pelo
economistas estão a maior oferta de produtos agropecuários e o fim do
impacto dos aumentos da gasolina e do álcool combustível. “Os alimentos
vão dar uma trégua à inflação entre maio e julho”, prevê.
Sem conforto. Fabio Silveira, diretor da RC
Consultores, também espera arrefecimento dos preços dos alimentos e da
inflação no segundo trimestre, levando em conta que os efeitos altistas
do álcool e da gasolina serão absorvidos integralmente e as cotações das
commodities agrícolas e metálicas, exceto o petróleo, no mercado
internacional, continuem recuando.
Além da entrada da safra de alimentos, do real valorizado em relação
ao dólar e menor ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto Global,
ele destaca que nos próximos meses o consumo doméstico deve dar sinais
de enfraquecimento por causa das medidas macroprudenciais tomadas desde o
fim do ano passado e da alta dos juros.
Nas contas de Silveira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA), a medida oficial da inflação, deve recuar de uma média mensal de
0,80% no primeiro trimestre para 0,60% no segundo trimestre do ano.
“Apesar do recuo, esse nível de inflação não é nada confortável”, alerta
o economista. Se anualizada, uma inflação mensal de 0,60% sinaliza uma
inflação anual na casa de quase 7%, acima do limite superior da meta
(6,5%).
Comune concorda com Silveira e ressalta que apesar da “trégua”
esperada para os próximos dois meses, o índice em 12 meses preocupa e
são necessárias mais medidas monetárias, macroprudenciais e fiscais para
segurar os preços. “Mais medidas devem vir por aí para esfriar a
expansão do crédito e dos salários”, afirma Silveira.
