Súmula da Segunda Seção trata do prazo para pedir o DPVAT na Justiça
29 de outubro de 2009Brazil raises cane over U.S. ethanol tariff
4 de novembro de 2009Pela segunda semana consecutiva, os dados compilados pela consultoria EPFR Global mostram que a taxação com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não tirou o apetite do investidor estrangeiro que aplica em fundos. No dia 19, o governo anunciou que as aplicações em renda fixa e variável realizadas por investidores estrangeiros seriam taxadas com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre.
Segundo a consultoria – que acompanha mais de que acompanha a movimentação de fundos no mundo todo com patrimônio total de US$ 10 trilhões -, os fundos de ações dedicados ao Brasil levantaram US$ 90 milhões na semana encerrada dia 28 de outubro. Com isso, já são sete semanas seguidas com fluxo positivo. Os números podem ser contrastados, no entanto, com os dados da própria Bovespa, que mostram vendas líquidas de R$ 3,5 bilhões entre os dias 20 (data na qual passou a ser cobrado o imposto) e 28 de outubro.
Cabe destacar que ingresso de recursos ocorreram mesmo com o ambiente global menos favorável aos ativos de risco. Em seu relatório semanal, a consultoria ressalta que, conforme a euforia com os resultados trimestrais nos Estados Unidos cedeu espaço à dúvida trazida por dados econômicos contraditórios, os mercados mundiais de ações perderam fôlego.
E os emergentes não escaparam disso. Depois de duas semanas com entradas recordes na casa de US$ 4 bilhões, a captação de recursos por essas carteiras caiu para US$ 2,2 bilhões na semana encerrada dia 28 de outubro.
“Os bons resultados corporativos, vistos nas últimas semanas como combustível para uma recuperação sustentada, passaram a ser enxergados como munição para os governos e bancos centrais que pretendem fechar as janelas de estímulo fiscal e monetário”, resumiu Cameron Brandt, analista-sênior da consultoria.
Entre as principais categorias, os mercados emergentes globais (GEM, na sigla em inglês) seguiram na liderança, obtendo US$ 1,54 bilhão. Os fundos dedicados à Ásia (sem levar em conta o Japão) tiveram captação de US$ 433 bilhões. Com a ajuda do Brasil, os fundos voltados à America Latina, que viram seu portfólio ter desvalorização de 7,7% na semana, levantaram US$ 195 milhões. Já os emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) receberam US$ 104 milhões.
As carteiras dedicadas aos países que compõem os Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) mostraram sua resistência, levantando US$ 225 milhões na quarta semana do mês. Isso eleva o total acumulado no ano para cima dos US$ 4 bilhões.
A EPFR Global nota que, embora menos dispostos a comprar ações, os agentes seguiram firmes no aumento de suas apostas na renda fixa. Todas as carteiras acompanhadas tiveram ingresso total de US$ 6,61 bilhões na semana, enquanto todos os fundos de ações amargaram saque total de US$ 2,05 bilhões.
No caso dos países desenvolvidos, os saques pautaram a semana. Nos Estados Unidos, dados fracos do setor imobiliário, consumidores menos confiantes e preocupação com maior regulação sobre o setor financeiro resultaram em saques de US$ 5 bilhões dos fundos de ações do país. Mas vale lembrar que os números da consultoria americana vão até a quarta-feira, ou seja, antes da confirmação de que a maior economia do mundo emergiu da recessão ao crescer 3,5% no terceiro trimestre.
Na Europa, os saques foram modestos. Os fundos dedicados à região perderam dinheiro em apenas duas semanas desde o começo de setembro. Para a EPFR Global, a decisão da Noruega de subir sua taxa de juros trouxe para o centro das discussões a questão das “estratégias de saída” dos planos de ajuda.
Já os fundos de ações voltados ao Japão marcaram a sexta semana seguida com perdas de recursos. A preocupação com o iene forte mantém os investidores afastados da Bolsa de Tóquio. Fora isso, o novo governo enfrenta dificuldades em transformar retórica política em medidas reais.
Entre os fundos setoriais, aqueles orientados ao crescimento da economia mundial, como a categoria das commodities e bens de consumo apresentaram modestas entradas de recursos. Mas a tônica na semana foi, mesmo, o saque de recursos.
