China State Grid says won’t bid for Brazil’s Rede
16 de fevereiro de 2012Budget cuts were deepest in Health, Defense and Cities
22 de fevereiro de 2012O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de dezembro,
ao crescer 0,57% ante novembro, trouxe duas importantes mensagens,
segundo o economista-chefe da Bradesco Asset Management (Bram), Fernando
Honorato Barbosa: que a recuperação da atividade econômica no quarto
trimestre do ano passado não era exuberante e que o pior momento da
atividade brasileira estacionou em outubro de 2011.
É por essa razão que ele trabalha com uma taxa de crescimento zero do
Produto Interno Bruto (PIB) para o último trimestre de 2011. “É a cara
do Brasil em 2011, e eu atribuo 70% da desaceleração econômica no ano
passado aos apertos decorrentes das medidas macroprudenciais, juros e
política fiscal.”
Na opinião de Barbosa, o IBC-Br marca o fim do pior momento da
atividade econômica brasileira e aponta para uma taxa de crescimento
maior para a frente.
Partindo de uma avaliação do IBC-Br de dezembro para a frente,
Barbosa calcula que o indicador de atividade do BC carrega para o PIB do
primeiro trimestre de 2012 um efeito estatístico (carry over) de 0,8%.
Assim, o economista espera crescimento de 0,9% da economia no acumulado
do primeiro trimestre.
No segundo trimestre, o PIB deverá crescer 1,4%. Para o ano cheio, a
Bram trabalha com crescimento de 3,3%. “O que veremos a partir do
primeiro trimestre deste ano é a reversão dos efeitos das medidas de
contenção do crescimento adotadas no passado, com juros caindo,
macroprudenciais mais frouxas e política fiscal neutra em relação a
2011”, prevê o economista. Pesa ainda neste ano a favor de taxas
trimestrais de expansão do PIB, de acordo com Barbosa, o aumento de 14%
do salário mínimo concedido em janeiro.
Já o economista e sócio da MCM, Antônio Madeira, atribui a alta de
0,57% calculada pelo IBC-Br à melhora do desempenho da indústria e do
varejo em dezembro. O resultado veio dentro do que a consultoria
esperava, que era de 0,6%, o que não alterou a previsão de alta do PIB
de apenas 0,2% no quarto trimestre e manteve a projeção de crescimento
de 2,8% em 2011.
Para janeiro, Madeira prevê que o IBC-Br poderá apresentar resultado
muito próximo de dezembro, por causa da continuidade da recuperação da
economia. Nesse contexto de melhora do nível de atividade, ele também
acredita que o setor manufatureiro e as vendas do varejo devem continuar
respondendo de forma positiva aos estímulos do governo, como a redução
dos juros pelo Banco Central e o corte do IPI para a aquisição de
produtos da linha branca ocorrido no fim do ano passado.
Na avaliação do especialista, o cenário para 2012 do nível de
atividade indica alta do PIB de 3,2%, pouco maior do que em 2011. Como
ele prevê que o IPCA não deve repetir os 6,5% no ano passado – embora
ainda fique acima da meta de 4,5%, pois deve atingir 5,5% -, ele não vê
muito espaço para que o BC continue baixando os juros neste ano. Na sua
avaliação, a Selic deve chegar a 9,5% em 18 de abril e permanecer assim
até o fim de 2012. “A situação da economia neste ano deve ser melhor,
mas a inflação requer cuidados.”
Aceleração
Na opinião de Flavio Serrano, economista-sênior do Besi Brasil, a
variação de 0,57% de dezembro do IBC-Br mostra que a economia brasileira
recuperou a tração no quarto trimestre do ano passado e, sobretudo,
amplia a probabilidade de aceleração da trajetória nos próximos meses.
Para o período de outubro a dezembro de 2011, a expectativa do
economista é de que o PIB tenha crescido 0,4%. Para o primeiro trimestre
deste ano, a projeção do Besi é de uma expansão de 0,8% e crescimento
de 3,5% acumulado de 2012.
O bom desempenho do IBC-Br em dezembro, de acordo com Serrano,
reflete o crescimento de 1,6% no indicador de vendas do varejo ampliado
em dezembro do ano passado comparado a novembro e a expansão de 0,9% da
produção industrial, na mesma base de comparação.
O resultado do IBC-Br ficou de acordo com a projeção do departamento
econômico do Besi Brasil, de alta de 0,6%. O economista avalia ainda que
o Copom parece estar inclinado a aumentar os estímulos monetários nos
próximos meses. “Mantemos nossa previsão de que a inflação deve
desacelerar no curto prazo, impulsionado por efeitos temporários, mas
com tendência de aumento no longo prazo.”
