Iran, Brazil with potentials to cooperate on nuclear activities
17 de novembro de 2009STJ diverge sobre importação paralela
20 de novembro de 2009O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem em debate com empresários que o volume de desonerações concedidas pelo governo ao setor produtivo nos últimos cinco anos chega a R$ 100 bilhões. Em 2009, o valor da renúncia fiscal teria sido de R$ 25 bilhões.
Ao tentar justificar a queda do superavit primário (economia de gastos para reduzir a dívida pública) decorrente da queda na arrecadação, o ministro disse em debate que as reduções de impostos foram determinantes para a superação da crise financeira.
No evento, promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial, elogiou as medidas, mas criticou o aumento das despesas públicas. “É normal que países revejam o perfil dos seus gastos e acreditamos que, independentemente do resultado das eleições, o novo governo precisará olhar a questão.”
Questionado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) se a política de queda nos juros pode ficar comprometida pelo aumento dos gastos correntes, Mantega argumentou que as despesas são necessárias e incluem programas sociais do governo, mas reconheceu que também gostaria que a conta fosse menor. “O ministro da Fazenda é sempre o primeiro a se preocupar com os gastos.”
Para Mantega, essa política permitiu à economia brasileira começar um novo ciclo de investimentos e alcançar o patamar de crescimento de 5%, podendo até superar essa taxa entre 2010 e 2017. “O novo ciclo será maior que o anterior. Podemos crescer 6% ou 6,5% ao ano de forma equilibrada.”
Para ele, além da força do mercado interno, o desempenho econômico nos próximos anos deve ser impulsionado pelos investimentos estimulados por projetos de infraestrutura e eventos esportivos -pré-sal, Copa-14 e Olimpíada-16.
Mantega enfatizou que o governo está trabalhando na direção de proporcionar mais competitividade à atividade produtiva, sobretudo com a redução dos juros em linhas do BNDES. Citando dados de evolução da produção, o ministro exaltou a atratividade da economia, que propicia ao país a formação de poupança externa, mas alertou para o impacto no câmbio.
Segundo Mantega, a cobrança de 2% de IOF na entrada de capital estrangeiro em Bolsa e em aplicações de renda fixa cumpriu o objetivo de segurar a alta do real. “Quase um mês depois, podemos dizer que a medida foi eficaz, porque conseguimos conter a volatilidade.”
Ele citou estudo do banco de investimentos Goldman Sachs, que considera um dólar a R$ 2,60 o nível de equilíbrio para o câmbio brasileiro. “Imagina a indústria brasileira com esse câmbio. Venceríamos qualquer concorrente.”
