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22 de julho de 2009Estudo feito pelo departamento econômico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sustenta que os cortes de juros feitos até agora pelo Banco Central não são suficientes para fazer a economia crescer dentro do seu potencial. A entidade também afirma que os juros altos estão contribuindo para a valorização cambial.
“A política de redução da Selic tem sido muito lenta e continua aquém da realidade”, afirma a Fiesp. “Nada explica juros básicos superiores a 7% ao ano, o que já equivaleria a três pontos percentuais acima da inflação.”
Segundo os economistas da Fiesp, do crescimento de 3,5% projetado pelo mercado financeiro para 2010, apenas 2% representarão expansão efetiva do Produto Interno Bruto ocorrida no ano. O resto será apenas efeito estatístico do chamado “carry over”, ou seja, a expansão mais fraca da economia em 2009, que faz com que o PIB de 2010 pareça mais robusto.
A Fiesp lembra que, para o terceiro trimestre deste no, o mercado financeiro projeta uma retração de 1,2% do PIB. Para a entidade, essa esperada retração da atividade econômica deve ser creditada a erros na condução da política monetária. “O BC demorou para iniciar o ciclo de cortes na taxa de juros”, diz o estudo.
A Fiesp baseia sua critica em um recente estudo divulgado pelo BC, que mostra que altas e baixas de taxas de juros levam três trimestres para terem seu efeito máximo na atividade. O PIB do terceiro trimestre, diz a entidade, foi determinado pela política monetária implementada em fins de 2008, quando o BC relutava em baixar os juros.
Segundo a Fiesp, as projeções de fraco crescimento para 2010, de apenas 3,5%, são um indicativo de que os cortes de juros feitos até agora não foram suficientes para propiciar a plena recuperação da economia. “Os ajustes feitos na Selic até agora já estão incorporados nas expectativas dos agentes e não são suficientes para promover uma retomada do crescimento econômico no Brasil”, diz a Fiesp.
A entidade diz que “mais uma razão para a intensificação da queda da Selic está na recente apreciação cambial”. Segundo o estudo, a taxa de câmbio se valorizou 15,7%, saindo do patamar de R$ 2,34 para R$ 1,97, porque o país passou a ser o destino de muitos capitais que buscam a rentabilidade dada pelo grande diferencial de taxas de juros entre o Brasil e o resto do mundo. “A queda da taxa de câmbio, de um lado, indica excessiva taxa de juros e, de outro, provoca um processo deflacionário mais intenso, abrindo espaço para queda mais acentuada da taxa de juros.”
