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4 de dezembro de 2012No Aerolula, Rosemary Nóvoa de Noronha entrava com ou sem autorização do comandante. Voava na companhia do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Rosto delineado por plásticas, olhos negros e cabelos avermelhados, Rose, como é conhecida, desfrutou do zelo do padrinho. Acostumou-se a usar a proximidade para expandir sua influência e obter benesses, até ser indiciada pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, que investiga um esquema corrupção e tráfico de influência em órgãos federais.
Nomeada por Lula em 2003 para integrar o gabinete da Presidência em São Paulo, a assessora passou a chefiar a unidade em 2005, função que manteve até a última semana, quando foi exonerada pela presidente Dilma Rousseff após a eclosão do escândalo.
Com base em mais de 10 mil e-mails interceptados, a assessora é apontada como elo entre o governo e a quadrilha que tentava fraudar pareceres, a fim de favorecer empresas. Rose, ou Madame, como alguns adversários a chamam, usou sua influência para colocar os irmãos Paulo e Rubens Vieira em diretorias de agências reguladoras e ainda emplacou a filha na Anac e o ex-marido na Infraero.
O poder para apontar dirigentes de importantes órgãos ela construiu aos poucos e em silêncio dentro do PT. Há mais de duas décadas conheceu José Dirceu no diretório nacional, em São Paulo. Assessorou o ex-presidente do partido por 12 anos, até cair nas graças de Lula, com quem já convivia desde a década de 1990.
A serviço do Planalto, Rose circulava silenciosa nos bastidores do poder. Ganhou intimidade a ponto de chamar o ex-metalúrgico por “Luiz Inácio” e não presidente. Nos e-mails interceptados se referia a ele como “PR”. Na edição desta semana, a revista Época diz que a assessora se apresentava como namorada de Lula para dar demonstração de poder.
PT trabalha para desqualificá-la
Em Brasília, os próprios petistas sabiam das idas seguidas da assessora à Capital, a fim de despachar em particular com Lula, muita vezes durante ausências da primeira-dama Marisa Letícia, que não lhe dirigia a palavra. Só a funcionária era capaz de fazer o ex-presidente faltar a compromissos importantes da legenda.
A confiança recebida também rendeu boa quilometragem no Exterior. Levantamento da ONG Contas Abertas indica que Rose viajou a mais de 20 países em comitivas presidenciais. Em 2009, passou por Alemanha, Portugal, França, Reino Unido, Qatar, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Paraguai, Ucrânia e Venezuela. No ano seguinte rodou por México, Cuba, El Salvador, Rússia, Portugal, Moçambique e Coreia do Sul.
Após a sucessão de Lula, a auxiliar teria ido apenas uma vez a Brasília. Não gozava da simpatia de Dilma, que a segurou no cargo por força do antecessor. Mesmo assim, a assessora manteve a pose. Nas ligações para o Planalto, só aceitava conversar com nomes de primeiro escalão. Se outro funcionário atendesse, passava o telefone para um dos seus subordinados.
Rose usou do prestígio com o antigo chefe, que segue influente no governo, para fazer indicações e requisitar reuniões em troca de favores. Segundo a PF, a lista de mimos recebidos incluiria uma cirurgia plástica, a reforma de um apartamento e um cruzeiro animado pela dupla Bruno e Marrone.
Insistindo, por meio de notas oficiais, que não cometeu irregularidades, Rose vem tendo a vida devassada. O temperamento explosivo e as crises de choro que tem passado provocam calafrios nos cardeais do PT. Emissários tentam silenciar a assessora. Parlamentares, desqualificá-la.
— É um exagero creditar a uma funcionária mequetrefe o poder de indicar diretores de agências — aponta um petista próximo de Lula.
