Greek bailout boosts global markets
22 de julho de 2011Anders Breivik pode ser acusado por crimes contra humanidade, diz jornal
26 de julho de 2011O Brasil está obtendo vantagem do seu “grau de investimento”, com
captações no mercado externo a taxas de juros até pouco impensáveis para
uma economia emergente, enquanto os países europeus brigam com as
agências de rating.
Segundo a professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Nora Zygielszype,
especialista em mercados financeiros internacionais, o sucesso das
captações feitas no primeiro semestre do ano – tanto pelo governo quanto
pelas empresas privadas – deve-se à taxa de juro mais baixa na maior
parte dos países ricos e à boa imagem que o Brasil conseguiu construir
nos últimos anos.
“O dinheiro está muito barato lá fora e o Brasil fez o seu dever de
casa durante o governo Fernando Henrique Cardoso e no primeiro governo
Lula”, disse a especialista, para quem não há, ao menos por enquanto,
motivo para acreditar que fantasmas passados possam voltar a assombrar a
economia brasileira.
Na década de 1970, durante o governo militar de Ernesto Geisel, o país
viveu o seu “milagre econômico” em função das captações externas, em um
momento também de dificuldade para as nações mais ricas em plena crise
petrolífera.
A boa fase, no entanto, foi sucedida pela crise da dívida externa que
assolou todo o continente latino-americano na década seguinte. “Após a
crise, os juros norte-americanos subiram enormemente e a dívida que o
Brasil e outros países da América Latina haviam contraído estavam
atrelada a ele”, lembra a especialista.
Desta vez, “o país está com reservas altas, não é mais dependente de
petróleo e o montante captado ainda é pequeno e não preocupa”,
esclareceu Nora Zygielszype.
No início deste mês, o governo captou 500 milhões de dólares nos
mercados norte-americano e europeu com a venda de títulos da dívida
pública negociados a um juro de 4,188% ao ano, em um prazo de uma década
– o menor da história do país para captações internacionais.
O fato de os investidores aceitarem taxas menores significa que estão
mais seguros de que o Brasil honrará sua dívida. A captação foi feita
uma semana após a agência de classificação de risco Moody’s ter elevado a
nota da dívida do Brasil no exterior. Papéis de dívida com prazo de
vencimento para daqui a 30 anos, como os negociados em outubro do ano
passado, também são uma novidade para o país.
Outro tipo de captação que mostra a melhora na credibilidade do país
são operações em moeda própria, que o Brasil conseguiu concretizar com
sucesso no final de 2010. “Isso é ótimo, porque cria uma dívida externa
na nossa própria moeda, deixa o país mais tranquilo e mostra essa
confiança no real”, destaca a especialista. Isso, assinalou, mostra uma
tendência para o longo prazo, mas vai exigir controle da inflação.
Na segunda-feira passada, também o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) concluiu uma captação de 200 milhões de
francos suíços (cerca de 170 milhões de euros) a um juro de 2,75% por
ano e vencimento para 2016.
A expectativa é que boa receptividade aos títulos públicos abra ainda
mais o mercado para emissões de empresas privadas que, somente no
primeiro semestre do ano, já registaram aumento de 52% nas suas
operações de captação no exterior, segundo a Associação Brasileira das
Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
