Disputa entre Caoa e Fisco pode ultrapassar R$ 1 bi
23 de setembro de 2014TCU vê indícios de superfaturamento em refinaria da Petrobras
25 de setembro de 2014Diante das turbulências eleitorais nos dois países, os governos de
Brasil e Argentina vêm postergando uma solução para o não pagamento de
exportações brasileiras pelo principal parceiro comercial do Mercosul. O
quadro é agravado pela escassez de dólares no país vizinho, que também
impede a remessa de lucros e dividendos de filiais para suas matrizes
brasileiras.
Em lugar de empenho, há apatia em ambos os lados
para discutir os problemas, segundo fontes ouvidas pelo Estado. “Não
temos, infelizmente, nenhum tipo de perspectiva além de esperar 100 dias
para mudar o governo aqui e 500 dias para mudar o governo lá”, resumiu
Alberto Alzueta, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Argentina. Ele
reclama da falta de solução em encontros com viés “ideológico e
idealista”.
Depois de uma viagem recente a Buenos Aires, o
consultor Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do governo
Lula, também não vê soluções no curto prazo. “Minha impressão é de que
não vai ter grandes mudanças no cenário até o fim do ano que vem.”
Os
empresários brasileiros se queixam em Brasília por causa de dois temas
principais, segundo apurou a reportagem. Sobre as negativas do governo
argentino em autorizar importações que não sejam de petróleo, gás e
medicamentos e também a respeito da dificuldade em repatriar dividendos
das filiais que as empresas brasileiras mantêm em solo vizinho. No
cenário atual, muitas empresas brasileiras têm optado por investir em
estoques ou adquirir imóveis na tentativa de manter o poder de compra do
lucro .
Não há posicionamento ou esforço do governo em
solucionar os dois pontos. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior informou que, “nos últimos dias, tem
recebido informações sobre o tema e, com o setor privado, está
monitorando as operações. Além disso, já se comunicou com o governo
argentino com o objetivo de solucionar os eventuais problemas”.
Insolúvel
A
falta de acesso do país vizinho à moeda forte é vista pelo governo
brasileiro como “insolúvel” no momento. É isso que está na raiz dos
problemas comerciais entre os dois países. O governo brasileiro avalia
que a crise ainda deve piorar, mas a ordem é não chamar a atenção para
um problema que o Brasil não tem como solucionar agora.
Fontes do
governo explicam que, neste momento, ideias como criar uma fonte de
financiamento para os exportadores ou adotar o comércio em moeda local
não têm como prosperar. Em plena campanha eleitoral, dificilmente o
governo brasileiro adotará medidas contraditórias. Mais do que isso,
admitem, há uma paralisia no governo que impede até a negociação de
propostas mais polêmicas. Os próximos 100 dias, até a posse do novo
presidente e da nova equipe econômica por aqui – mesmo que Dilma
Rousseff seja reeleita – serão de espera.
Segundo uma fonte do
governo, a presidente Cristina Kirchner está tentando marcar uma reunião
com Dilma em Nova York, durante a reunião da 69.ª Assembleia-Geral da
ONU. Mas a presidente brasileira quer evitar o encontro a todo custo. Os
chamados encontros de alto nível entre os dois países, que deveriam ser
trimestrais, estão esquecidos. A última reunião entre Dilma e Cristina
foi em janeiro, na Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e
Caribenhos, em Havana.
A presidente Dilma Rousseff disse na
segunda-feira, 23, em Nova York, não ter conhecimento sobre a decisão da
Argentina de suspender novamente o fluxo de pagamento aos exportadores
brasileiros. “Meu querido, eu não vou me manifestar aqui sobre governo
de ninguém. Se for isso, nós vamos tomar providências, eu não sei do que
se trata. Você está falando de uma coisa que eu não sei, não vou
responder”, afirmou, após participar da Cúpula do Clima.
