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15 de outubro de 2013Os vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2013 foram os economistas americanos Eugene F. Fama e Lars Peter Hansen, da Universidade de Chicago, e Robert J.Shiller, da Universidade de Yale, por trabalhos independentes de identificar as tendências de comportamentos de preços de ativos, como ações, títulos e outros ativos, informou na manhã desta segunda-feira a Real Academia Sueca de Ciências, que concede o prêmio de 8 milhões de coroas (US$ 1,25 milhão). Segundo especialistas, as pesquisas dos três economistas permitem avaliar formação de bolhas nos mercados e a escolha dos premiados tem relação direta com as origens da crise financeira internacional de 2008.
“Os laureados foram os alicerces para a compreensão atual de preços dos ativos. Ela se baseia, em parte, em flutuações de risco e atitudes de risco, e, em parte, nas tendências comportamentais e atritos do mercado”, informou o comunicado do prêmio, acrescentando que os métodos criados pelos premiados se tornaram ferramenta padrão na pesquisa acadêmica. “Não existe forma de prever o preço de ações e títulos para os próximos poucos dias ou semanas. Mas é quase possível prever o curso desses preços em períodos longos, como nos próximos três a cinco anos. Esses achados, que parecem surpreendentes e contraditórios, foram feitos e analisados pelos premiados deste ano”,
Dos três vencedores, Fama, nascido em Boston, em 1939, e Lars Peter Hansen, nascido em 1952, atuam na Universidade de Chicago, a conhecida “Escola de Chicago”, por seu pensamento econômico que defende o mercado livre. Robert Shiller, nascido em Detroit, em 1946, atua na Universidade de Yale e ficou mais conhecido por ter previsto a bolha do mercado imobiliário americano.
Para o diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carlos Langoni, doutor pela Universidade de Chicago, o prêmio se justifica porque a economia mundial tem sofrido nos últimos anos as “consequências devastadoras de bolhas não antecipada pelos responsáveis por políticas econômicas e bancos centrais”.
– O trabalho deles busca antecipar formação de bolhas e tendências de preços de ativos de forma em geral para que governos possar tomar medidas que minimizem essa evolução dos ativos. São movimentos que podem desestabilizar economia. A importância do tema é absoluta – avalia Langoni.
Na década de 1960, Eugene Fama, o mais antigo dos três, e vários colaboradores demonstraram que os preços das ações são difíceis de se prever no curto prazo e que novas informações são rapidamente incorporadas aos seus preços. Ele é considerado o pai da teoria do mercado eficiente. Fama é professor da Universidade de Chicago e conta com grande influência no segmento de pesquisas sobre finanças corporativas.
– Fama foi orientado pelo matemático Benoit Mandelbrot, mas se desgarrou das origens e formulou a teoria dos mercados eficientes, segundo a qual os preços dos ativos financeiros sempre incorporam toda a informação relevante sobre um determinado ativo de modo racional. Mais tarde, teve de desmentir a sua tese e a crise ajudou nisso. Hoje, tem estudado porque os preços dos ativos financeiros muitas vezes se comportam erraticamente – disse Monica de Bolle, economista da Galanto Consultoria.
O economista Robert Shiller é partidário da tese da “exuberância irracional dos mercados”, ou seja, de que bolhas se formam com uma certa facilidade quando há excessos não regulados adequadamente, explica Monica. Ele previu desta forma a bolha imobiliária americana, origem da crise financeira internacional. Ele é conhecido também por ser cocriador do índice de preço de imóveis S&P/Case-Shiller.
Já o americano Lars Peter Hansen, por sua vez, desenvolveu um método que é particularmente bem adaptável para testar teorias de precificação de ativos. Usando este método, Hansen e outros pesquisadores descobriram que modificações nestas teorias poderiam colaborar a explicar os preços de ativos.
Langoni lembra que dos três economistas premiados, dois são da chamada escola de Chicago, o que chama atenção já que um dos debates econômicos após a crise era o possível fim do conceito de “mercado livre”, visão que considera radical.
– Universidade de Chicago é, desde Milton Friedman, a escola que sempre defendeu que os mercado são a melhor forma de alocar recursos na economia mundial e que os governos deveriam intervir de forma limitada na economia. E sempre houve um grande debate da visão de Chicago contra os keynesianos, escola favorável à intervenção do Estado. Hoje existe convergência e todos reconhecem que os mercados são importantes assim como reconhecem que é preciso haver medidas anticíclica quando necessário – disse Langoni.
Em evento no Brasil no fim de agosto, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia, o economista americano Robert Shiller, professor de finanças comportamentais da Universidade de Yale, disse que a disparada nos preços dos imóveis no Rio de Janeiro e em São Paulo nos últimos anos sugere a existência de uma “bolha” no mercado imobiliário brasileiro.
O Prêmio Nobel de Economia, que se segue ao anúncio do Nobel de Física, Medicina, Química, Literatura e Paz, não é um dos prêmios originais, que começou a ser conferido em 1901. O prêmio passou a ser conferitado pelo Banco Central da Suécia em 1968 e é conhecido como Sveriges Riksbank Prize em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel.
