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16 de abril de 2014Depois de um encontro com dirigentes do PT, o deputado André Vargas (PT-PR) decidiu renunciar ao mandato. Segundo pessoas próximas ao parlamentar, Vargas deve formalizar na terça-feira a renúncia. O parlamentar já redigiu até uma carta de renúncia, onde reclama que está sendo “massacrado pela imprensa” e que decidiu preservar a sua família. Um dos principais defensores da renúncia de Vargas foi o próprio presidente do PT, Rui Falcão. Nas discussões internas do partido, o dirigente argumentava que a manutenção do mandato de Vargas era motivo de desgaste para a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff, tanto pela gravidade das denúncias quanto pela falta de explicações suficientemente convincentes para o nível de intimidade que ele mantinha com o doleiro Alberto Youssef.
No fim da tarde desta segunda-feira, Vargas ligou para o presidente do PT para informar que renunciaria ao mandato. No mesmo dia, mais cedo, Falcão recebeu relatório de uma comissão formada por três petistas que ouviram as alegações de Vargas sobre suas ligações com o doleiro.
A comissão decidiu propor que o partido “aprofunde as investigações” sobre o caso e discuta a situação do petista no âmbito do Comissão de Ética do partido, o que pode resultar até na sua expulsão dos quadros da legenda.
Na última semana, a Executiva Nacional do PT já havia sinalizado que o assunto deveria ser levado à Comissão de Ética. No entanto, em entrevista na tarde desta segunda, Falcão deu sinais de que poderia até recuar, afirmando que a decisão ainda dependeria da entrega de um relatório mais completo do trio designado para ouvir Vargas.
No desabafo, feito logo cedo aos poucos deputados da bancada petista que ainda estavam lhe dando respaldo, Vargas já dava sinais de que não aguentaria as pressões ao longo do dia e optaria por jogar a toalha. Na conversa com os aliados, o ex vice-presidente da Câmara reclamou da falta de solidariedade do partido e da maioria da bancada, que pressionava pela renúncia. Na parte da tarde, depois de responder à comissão criada pelo PT para ouvir suas explicações, e saber o teor do relatório entregue ao presidente do PT, Vargas desistiu de enfrentar o processo no Conselho de Ética da Câmara.
– Ele também sabia que ia ser cassado no Conselho, porque o relator Júlio Delgado já saiu fazendo prejulgamentos antes de ouvi-lo. Também sabia que não tinha a solidariedade do partido e da maioria da bancada e não queria atrapalhar a campanha do PT . Eu não deixo nunca soldado ferido em campo – contou um dos deputados que conversaram com Vargas antes da decisão de renunciar ao mandato.
Segundo esse parlamentar, também pesou a pressão da família.
– O André ficou muito baqueado e triste depois de ver as fotos dos filhos nos jornais e TV. Até o fim da semana passada, ele achava que ia dar a volta por cima, que podia enfrentar o processo no Conselho e se explicar ao partido. Mas hoje cedo eu senti que ele não ia dar conta, disse que não estava aguentando – relatou o deputado petista.
Na noite desta segunda-feira, o vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, disse ter sido surpreendido pela decisão do petista de renunciar.
– Em nenhum momento ele falou isso com a gente ou sinalizou que pudesse renunciar. Estava muito chateado com a situação e respondeu o que a gente perguntou. Se resolveu (renunciar), foi agora – disse Cantalice, que é um dos integrantes da comissão que ouviu Vargas.
O líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (PT-SP), também contou que foi surpreendido e que não ainda não havia sido informado da decisão.
— Vejo com surpresa, porque ele declarou que não renunciaria ao mandato. Mas essa é uma decisão pessoal que só cabe a ele — disse Vicentinho.
Vicentinho disse ainda que nesta terça-feira começa a discutir a sucessão de Vargas no cargo de vice-presidente da Câmara. O cargo só pode ser ocupado por um petista.
A renúncia de André Vargas não interrompe o processo no Conselho de Ética. Já há entendimento na Mesa Diretora da Câmara neste sentido. O relator do processo na Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), disse que apresentará o relatório no próximo dia 22.
