Entidades criticam falta de novidade e amplitude em pacote anticorrupção
19 de março de 2015Juiz afastado do caso Eike diz não ter medo de ser preso
23 de março de 2015Os atrasos de pagamento da estatal Valec, ligada ao Ministério dos
Transportes, ameaçam o andamento da Ferrovia de Integração Oeste-Leste
(Fiol), na Bahia. Sem receber do governo nos últimos meses por causa do
ajuste fiscal imposto pelo Ministério da Fazenda, alguns consórcios
ameaçam desmobilizar os canteiros de obras e demitir os funcionários do
projeto – que vai ligar Barreiras, no oeste da Bahia, até Ilhéus, no
litoral, inaugurando uma nova rota de exportação.
A primeira a
abrir caminho para a redução do ritmo das obras foi a Galvão Engenharia –
empresa envolvida na Operação Lava Jato e que passa por sérias
dificuldades de caixa. Entre segunda, 16, e terça-feira, 17, a
empreiteira demitiu 700 funcionários que trabalhavam nos 100 quilômetros
entre as cidades de Manuel Vitorino, Jequié, Itagi e Aiquarara, na
Bahia.
Até o fim do ano passado, a empresa mantinha no canteiro
de obras da ferrovia 1.500 funcionários. Mas, segundo o Sindicato dos
Trabalhadores da Construção Pesada da Bahia (Sintepav/PA), na semana
passada esse número já estava em 848 trabalhadores – ou seja, com as
demissões desta semana, o número cai para 148. Segundo o vice-presidente
do sindicato, Irailson Warneaux, a decisão da Galvão pode se espalhar
pelos demais canteiros de obras do empreendimento, que até semana
passada contava com 5.868 funcionários.
“Alguns consórcios já
disseram que, se a Valec não regularizar a situação, vão ter de
demitir”, afirma Warneaux. A construção da ferrovia está dividida em
oito lotes, entre Barreiras e Ilhéus, na Bahia, num total de 1.022
quilômetros. A Constran, responsável pelo lote 6, confirmou em nota que,
por causa dos atrasos nos pagamentos, teve de reduzir o ritmo das
obras, mas que ainda continua com o mesmo número de funcionários. “Os
trabalhadores estão realizando apenas atividades secundárias e de
manutenção.”
Warneaux afirma que, nesta fase do projeto, a
ferrovia já deveria estar com 8 mil trabalhadores – e não os 5.868
registrados até semana passada. “Já tivemos mais de 4 mil demissões no
estaleiro (Enseada Paraguaçu). Se não resolverem a situação aqui,
teremos mais 5 mil”, afirma o sindicalista, alertando para graves
problemas sociais na região por causa do desemprego. Ontem houve
paralisação nas obras da ferrovia como forma de protesto para que o
governo – tanto o federal como o estadual – dê mais atenção ao
empreendimento.
Em nota, a Valec reconheceu o problema, mas disse
que ele está sendo solucionado dentro das condições impostas pelo
governo federal. “Os pagamentos estão sendo regularizados dentro do
limite disponibilizado pelo Tesouro Nacional. Aguarda-se a publicação da
Lei Orçamentária Anual e do respectivo decreto de programação
financeira/2015, onde serão definidos os limites para empenho e
cronograma financeiro de desembolso para o corrente ano.”
Os dois
fatores juntos, atraso nos pagamentos pelo governo federal e impactos
da Lava Jato no caixa das empresas, têm sido responsáveis por milhares
de demissões Brasil afora. Só a Galvão Engenharia já demitiu neste ano 9
mil funcionários. Nesta semana, a previsão é dispensar 2 mil
funcionários nas obras que a empreiteira esta tocando.
Além da
Fiol, a Galvão não está conseguindo dar andamento às obras da BR-153,
concessão vencida pela empresa em 2013. A empresa alega que o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não liberou o
empréstimo-ponte previsto e não tem dinheiro para fazer a duplicação de
10% do trecho da rodovia exigida no contrato de concessão antes de
iniciar a cobrança de pedágio. No mercado, a informação é que a empresa
está prestes a entrar com pedido de recuperação judicial.
