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18 de outubro de 2013Após semanas de tentativas fracassadas, o Congresso dos Estados Unidos aprovou na noite de ontem um acordo entre republicanos e democratas para permitir a reabertura, hoje, do governo, parcialmente paralisado desde o começo do ano fiscal, no último dia 1º de outubro. O entendimento feito pelo Senado e que foi referendado pela Câmara evitou que o país entrasse em moratória a partir de hoje, com graves reflexos para o mercado global. A solução provisória para superar o impasse em torno do orçamento federal de 2014 também adiou um desfecho sobre o aumento do teto da dívida do país. Agora só é necessária a sanção do presidente Barack Obama, que afirmou em pronunciamento que vai assinar o documento assim que ele chegar em suas mãos.
A boa notícia teve início de manhã, quando os líderes no Senado, Harry Reid (democrata) e Mitch McConnel (republicano) anunciaram o acerto bipartidário. O senador oposicionista Ted Cruz, que anteriormente fez oposição a qualquer compromisso, garantiu que não haveria bloqueio da votação. Da mesma forma, o presidente da Câmara, o deputado republicano John Boehner, prometeu não obstruir.
O alívio de ontem foi apenas mais um capítulo da tensa novela envolvendo a resistência parlamentar da oposição ao governo do presidente Barack Obama, tendo seu programa nacional de saúde, apelidado de Obamacare, como alvo principal. O desfecho final do projeto garante um prazo extra até 15 de janeiro para o funcionamento das agências de governo e até 7 de fevereiro para acertar o novo teto da dívida. O governo tem maioria no Senado e a oposição, na Câmara.
Antes disso, o Tesouro avisou que tinha ferramentas para prolongar temporariamente sua capacidade de endividamento para além dessa data caso o Congresso não aja no início do próximo ano. O último esforço para evitar o calote histórico na dívida norte-americana evitou impacto nefasto sobre as finanças globais, sobretudo sobre os mercados emergentes, entre os quais grandes credores do Tesouro dos EUA. Numa lista encabeçada pela China, o Brasil aparece com destaque, em terceiro lugar.
SEM TENSÃO O acordo de última hora alcançado no Congresso dos Estados Unidos para ampliar o teto da dívida pública do país e evitar um calote nos credores da maior potência global reduziu a tensão que se instalou nos últimos dias nos altos escalões da área econômica. “Foi um alívio para o mundo todo”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “A economia mundial está numa fase de recuperação, e uma suspensão dos pagamentos da dívida poderia emperrar todo esse processo”, disse. O Brasil não ficaria de fora da lista dos países atingidos. “O clima de insegurança e desconfiança prejudicaria os negócios de maneira geral”, reforçou o ministro. Embalada pelo acordo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta. O Ibovespa fechou o dia em 55.973 pontos, com valorização de 1,80%. Salto nas ações da OGX, de 38,24%, ajudou nos resultados da bolsa brasileira. Nos EUA, os pregões também fecharam com ganhos: de 1,36% (Dow Jones), de 1,38% (S&P) e 1,20% (Nasdaq).
Cláudia Kodja, gestora de estratégias no mercado de capitais, lamentou que os EUA acabarão continuando tendo de lidar com acordos provisórios e de curta duração, limitando as ações do governo no longo prazo. “A desordem dos últimos dias é sucedida por tréguas cujas doses homeopáticas de recursos não eliminam as razões dos conflitos”, observou. Em seu pronunciamento Obama destacou que espera que “na próxima vez o impasse não precise ser resolvido na última hora”.
