AIE reduz projeção para demanda global por petróleo
11 de abril de 2013Empacotamento de açúcar configura processo de industrialização passível de incidência de IPI
15 de abril de 2013Apesar de barrar há três anos a criação, pelo Congresso Nacional, de novo programa de parcelamento de dívidas das empresas com desconto de multa e juros, o governo federal tem optado por uma espécie de “Refis setorizado”. A área econômica estuda atender as Santas Casas e os clubes esportivos. A dívida em tributos e contribuições das Santas Casas, hospitais filantrópicos e clubes esportivos soma cerca de R$ 6 bilhões.
Pela proposta, os beneficiados pagariam algo entre 10% e 20% do débito em dinheiro, com abatimento de parte de juros e multas, e o resto seria bancado com “prestação de serviços” considerados prioritários pelo Executivo. Normalmente, o prazo para acerto de contas varia entre 15 e 20 anos.
Esse foi o modelo adotado pelo Executivo para negociar o recebimento de débitos das universidades privadas em 2012. A maior parte da dívida (90% de cerca de R$ 15 bilhões), foi financiada com a liberação de bolsas de estudo no âmbito do Prouni. O restante (10%) deverá ser pago no prazo de 15 anos, que começa ser contado a partir de julho.
Na avaliação do governo, é melhor dar desconto nas multas e juros e receber parte do dinheiro com “prestação de serviços” do que não receber nada. As Santas Casas e hospitais filantrópicos deviam em tributos R$ 2,8 bilhões em 2011. Com dificuldades financeiras, as Santas Casas não têm condições de pagar esse débito. Na segunda-feira, por exemplo, essas instituições fizeram uma paralisação para pedir um reajuste dos valores dos procedimentos feitos para o SUS. Dos 2,1 mil hospitais desse tipo no país, 1,6 mil suspenderam as atividades por 24 horas.
O superintendente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia (CMB), José Luiz Spigolon, ressaltou que as regras do Refis para as Santas Casas ainda estão sendo discutidas com o Ministério da Fazenda. A proposta do governo perdoa uma parte dos juros e multas incidentes na dívida, define o percentual que deverá ser pago em dinheiro e a parcela que será quitada com ampliação dos serviços hospitalares oferecidos à população.
Segundo Spigolon, essa proposta não é interessante, pois os hospitais não teriam como bancar o aumento de custos para oferecer mais serviços. Por isso, a entidade fez uma contraproposta. Eles querem que o adicional de serviços solicitados pelo governo seja reajustado em 20% e apenas essa receita seja utilizada para abatimento dos débitos. A expectativa é que o novo Refis seja anunciado ainda nesse semestre.
No caso dos clubes esportivos, as dívidas tributárias chegam a R$ 3 bilhões. Somente o débito do Botafogo, do Rio, é de R$ 450 milhões. O secretário de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, explicou que fazer acordos com os clubes para que prestem alguns serviços esportivos à população “não é uma anistia ou perdão da dívida”.
Para serem beneficiados pelo futuro “parcelamento da dívida”, os clubes estarão obrigados a investir, por exemplo, na formação de atletas olímpicos. O Ministério do Esporte tem interesse, por exemplo, na ampliação do número de escolinhas de futebol feminino, e definirá o valor por vaga criada, que será descontado da dívida. Por enquanto, a proposta prevê o pagamento do débito dos clubes em até 20 anos. O percentual que deverá ser pago em dinheiro deve variar entre 10% e 20%.
Ainda está sendo negociada a hipótese de os bens dos dirigentes dos clubes serem utilizados como garantia de cumprimento de acordo com o governo. Para os clubes sem dívidas, está sendo estudada a possibilidade de acumular crédito com o aumento de serviços à sociedade, para pagamento de débitos futuros.
Nascimento disse que, sem incentivo, dificilmente os clubes pagarão suas dívidas com o governo federal. Ele ressaltou que é preciso dar condições para que a contribuição do futebol no Produto Interno Bruto (PIB) seja maior. O futebol no Brasil representa 0,2% do PIB, afirma secretário. Já na Espanha, esse percentual é de 1,2%.
