Joining in the carnival spirit
12 de fevereiro de 2010Fed eleva taxa de redesconto
19 de fevereiro de 2010Os bancos centrais das economias emergentes vão liderar o movimento de alta dos juros este ano e o Brasil será provavelmente o mais agressivo na elevação da taxa básica, avalia o instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa as maiores instituições financeiras do mundo.
A expectativa da entidade é de que a taxa Selic pule dos 8,75% atuais para 12,25% até o final do ano, conforme documento ao qual o Valor teve acesso. Com isso, o país fechará o ano mantendo os juros mais altos entre os emergentes. O IIF estima que o ciclo de alta começará no segundo trimestre.
A entidade vê risco de que, na corrida eleitoral à Presidência da República, haja atraso na retirada de medidas de estímulo fiscal, elevando a pressão inflacionária. Por isso, projeta crescimento da inflação para 5,5% este ano, comparado aos 4,3% de 2009, levando à necessidade de alta do juro.
Comentando os dois principais candidatos à presidência, o IIF diz que José Serra e Dilma Rousseff “não têm o carisma de Lula”. Mas que Serra tem experiência executiva e considerável sucesso eleitoral, enquanto à candidata do PT falta ambos.
O IIF relata que Serra é “visto como um candidato mais pró-mercado, tendo aprovado a privatização do Banespa, enquanto Dilma favorece um papel maior do governo na economia”. Para a entidade, o crescimento econômico brasileiro pode ficar próximo de 6% este ano, impulsionado pelo consumo.
Enquanto os emergentes deflagram a estratégia de saída de certas medidas de estímulo, as cambaleantes economias desenvolvidas quase certamente manterão os atuais níveis de juros básicos no primeiro semestre. A avaliação de banqueiros é de que flexibilidade sem precedentes da política monetária feita pelos emergentes nos últimos 18 meses deu resultado.
Agora, a China sinalizou o começo do aperto monetário com aumento do compulsório. Mas, de acordo com certos analistas na Europa, o aumento de juros será modesto, para diminuir o ritmo de crescimento dos créditos, que chegou a 35% no final de 2009 comparado a 20% no começo do ano. De todo modo, Pequim tende a só elevar mais as taxas básicas depois de o Federal Reserve dos EUA fazer seu primeiro ajuste, provavelmente no terceiro trimestre.
Também a Índia estaria relutante, mas a expectativa é de subir a taxa em 50 pontos-bases a partir de abril. A Coreia poderá ser mais decisiva e aumentar a taxa em 100 pontos-bases ao longo do ano.
A América Latina terminou sua baixa de juros no segundo semestre de 2000. E enquanto o Brasil poderá ser o país a mais aumentar os juros, com alta de 3,5 pontos até dezembro, o México provavelmente aumentará suas taxas em 100 pontos-base no segundo trimestre, na medida em que a recuperação da economia se tornar mais evidente e a inflação subir.
A situação é mista entre os emergentes da Europa. Os juros permaneceram relativamente altos durante a recessão para reter o capital externo. A tendência é de que em alguns países as taxas continuarão a declinar por causa da fragilidade das economias.
A expectativa dos bancos é de que a Turquia volte a subir os juros no segundo semestre. A Polônia pode fazer o mesmo no quarto trimestre, seguindo uma possível ação do Banco Central Europeu (BCE). Em contrapartida, a Hungria tende a continuar baixando as taxas. Também é considerado provável que a Rússia corte mais 175 pontos-base até setembro.
