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25 de agosto de 2009160 empresas lucraram combatendo a poluição
Os créditos de carbono são obtidos no mercado internacional por empresas e países que conseguem compensar emissões de gás carbônico. Cada crédito equivale à neutralização de uma tonelada de CO2, o que proporcionou mais de R$ 1 bilhão em ganhos a 160 empresas do Brasil este ano. Outras 405 estão se habilitando a neutralizar 352 milhões de toneladas de gás, o que elevará o lucro para R$ 10 bilhões ao ano.
RIO – A luta contra o aquecimento global se transformou num negócio lucrativo que já movimenta mais de um bilhão de reais entre empresas brasileiras. De acordo com os projetos em curso, o valor pode passar de R$ 10 bilhões por ano. Trata-se de uma cadeia de atividades econômicas que envolve desde a elaboração de projetos com os chamados mecanismos de desenvolvimento limpo até um sofisticado mercado para negociação dos créditos de carbono, obtidos a partir de um processo de certificação do qual participam as comissões sobre mudanças climáticas do Ministério de Ciência e Tecnologia e a Organização das Nações Unidas.
No Brasil, 160 companhias acumulam 33,5 milhões dos créditos – o que, segundo a última cotação, representa divisas da ordem de R$ 1,053 bilhão por ano. Outras 405 empresas têm em curso processos com potencial de redução de mais 352 milhões de toneladas de CO2 – mais de dez vezes o que está sendo movimentado atualmente.
Cada crédito equivale à neutralização de uma tonelada de gás carbônico equivalente (CO2), cotada, hoje em 12 euros (R$ 31) no mercado internacional, que tem as negociações centralizadas em Londres e Bonn.
Cotação em baixa
A cotação desses títulos já esteve em 20 euros, mas caiu substancialmente nos últimos meses. Com a crise, o consumo de petróleo diminuiu e com ele a necessidade de capturarmoléculas de gás carbônico, acompanhando a queda das cotações internacionais do petróleo. Quando os preços estavam nas alturas, e a demanda por petróleo também, crescia a necessidade de aquisição de créditos. E um aumento na procura forçou ao crescimento do preço desses créditos, levando a uma alta nas cotações. O país ou a indústria devem manter níveis de captura e emissão de gases controlados por várias instituições responsáveis. Se polui menos, captura menos CO2, naturalmente.
Um sistema de equivalência permite que também gere créditos de carbono a eliminação de outros gases causadores do aquecimento do planeta, como metano, originado por atividades agropastoris; óxido nitroso, gerado em processos industriais para produção de náilon, e fluorcarbonos, ainda usados em sprays. O sistema mostra que uma tonelada de carbono corresponde a 321 toneladas de óxido nitroso ou a 20 toneladas de metano.
O sistema originou-se no Protocolo de Kyoto, que consolidou compromisso de 191 países industrializados com a redução de gases geradores do efeito estufa, face à sua responsabilidade histórica pelo aquecimento global desde a Revolução Industrial. As estimativas mais otimistas apontam que a temperatura do planeta teve aumento médio de 0,7 grau centígrado nos últimos cem anos, havendo porém evidências de que o processo vem se acelerando nas últimas décadas.
Na impossibilidade de conter as emissões em seus respectivos territórios, os países desenvolvidos podem abater parte de suas metas de redução acertadas no protocolo de Kioto por meio da aquisição de créditos de carbono – gerados por projetos verdes em países em desenvolvimento. Os ricos, assim, financiam os países pobres no combate o aquecimento global.
Também signatários do Protocolo, os países mais pobres têm o compromisso de desenvolver e apoiar projetos que, de alguma forma contribuam para a sustentabilidade ambiental do planeta. Assim, um projeto brasileiro que evite a emissão de uma tonelada de CO2, por exemplo, pode vender esse crédito para uma instituição de um país desenvolvido.
O Brasil é o terceiro colocado no ranking mundial de neutralização das emissões de gases do efeito estufa, com 9% dos projetos de mecanismos de desenvolvimento limpo. Em primeiro lugar está a China, com 34%, e em segundo a Índia, com 26% do total de 1.717 projetos já aprovados pelo comitê executivo do de mecanismos de desenvolvimento limpo, órgão da Comissão de Mudanças Climáticas da ONU. O processo pode durar entre um e dois anos até a emissão do crédito que, então, pode ser negociado no mercado mundial. O potencial do mercado pode aumentar pelo fato de que hoje estão em tramitação no comitê da ONU mais de 5 mil processos para concessão desses créditos.
Tipos de contratos
O comércio dos créditos de carbono guarda similaridades com o mercado de ações. Podem ser firmados contratos a futuro, ainda durante a fase de execução de cada projeto, dependendo de suas potencialidades. Assim, um crédito (equivalente à eliminação de uma tonelada de CO2 da atmosfera) com possibilidade de ser concedido daqui a um ano, por exemplo, pode ser negociado por 5 euros, mesmo quando a cotação dos últimos dias esteva na faixa de 12 euros.
