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27 de março de 2009Enquanto alguns credores criticam por considerar longo o prazo de pagamento em 10 ou 12 anos, as empresas que estão apresentando seus planos neste ano estão propondo prazos ainda mais extensos, que chegam a até 20 anos. Ainda assim, já vislumbram dificuldades de cumpri-los. O advogado Dimas Almeida, administrador judicial do processo de recuperação do Frigorífico Estrela do Oeste (Frigoestrela), de Goiás, explica que a proposta apresentada aos credores para quitar uma dívida estimada em R$ 240 milhões é de quitar em 20 anos, com o pagamento de R$ 12 milhões por ano. “Ainda assim, é uma proposta meio arriscada. Retirar esse volume por ano do faturamento da empresa é muito complicado. Essa condição pode melhorar se a empresa conseguir renegociar a dívida com o banco”, afirma Almeida. Do total de R$ 240 milhões de débitos do frigorífico, em torno de R$ 140 milhões são com instituições financeiras. Uma outra proposta de pagamento feita pelo Frigoestrela que foge ao padrão de recuperações judiciais no País foi a de pagamento dos débitos trabalhistas em dois anos, prazo que costuma ser de até 12 meses.
O Frigoestrela pediu recuperação judicial em novembro passado e apresentou seu plano em 19 de janeiro na vara cível de Estrela do Oeste, em Goiás. No auge de sua atuação, o Frigoestrela chegou a ter faturamento bruto por mês de R$ 140 milhões com abate de bovinos. A empresa retomou o processamento em algumas unidades em janeiro e, com a melhora do mercado de exportação, pretende, até o final deste semestre, atingir o faturamento de R$ 70 milhões mensais.
Segundo advogados, a crise financeira levou credores a flexibilizarem as negociações. “Há dois anos era mais difícil negociar. Agora, os credores estão abrindo mão e a possibilidade de negociar é muito mais interessante”, afirma o advogado Anderson Albuquerque, do escritório Albuquerque e Alvarenga Advogados. “Hoje há uma tolerância maior”, concorda o economista Fábio Astrauskas, da consultoria Siegen.
Para especialistas, a preocupação de ficar sem receber nada, caso a empresa vá à falência, está levando ao alongamento dos prazos. Advogados afirmam que, antes da crise financeira, prazos de seis anos eram considerados longos. Hoje, credores aceitam receber dívidas em 12 anos, em média, podendo a chegar a 20 anos.
