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Incertezas e anos de PIB decepcionante deixam Brasil menos atrativo para empresas estrangeiras - 27/05/2019
Em meio às dificuldades de reação da economia brasileira e problemas estruturais de produtividade, o país também tem perdido a atratividade para investidores estrangeiros. Além do menor nível de fluxo de recursos para investimentos no Brasil e persistentes incertezas sobre o ambiente de negócios, também tem chamado a atenção a frequência de anúncios de empresas internacionais indo embora ou decidindo encerrar operações por aqui.

Entre essas companhias, estão a Ford Caminhões, os laboratórios Roche e Eli Lilly, a gráfica RR Donnelley, o aplicativo Glovo, a Nikon, a cervejaria Brasil Kirin, e redes de varejo como Lush e Kiehl's. Relembre mais abaixo empresas que deixaram ou estão deixando o país nos últimos anos.

Embora as razões apresentadas por elas não sejam necessariamente as mesmas, e também estejam relacionadas a novas estratégias globais das companhias, em comum está a dificuldade de conseguir os resultados esperados, a decepção com o ritmo de crescimento da economia brasileira e a elevada imprevisibilidade em relação ao médio e longo prazos.

Diante das dificuldades de gerar a receita esperada e de expandir os negócios, a saída encontrada por essas empresas foi vender a operação para concorrentes já estabelecidos ou simplesmente fechar as portas. Outras recusaram-se a desistir, mas decidiram encerrar a produção local, passando a atuar somente com distribuição de importados. Consequentemente, fecharam postos de trabalho e colocaram mais pessoas na fila do desemprego.

O indicador é considerado como o melhor termômetro de "bom investimento", uma vez que os recursos vão para o capital produtivo (construção de fábricas, infraestrutura, empréstimos e fusões e aquisições).

Levantamento divulgado neste mês consultoria A.T.Kearney mostrou que o Brasil deixou o ranking dos 25 mais confiáveis para investimento estrangeiro. Foi a primeira vez que o país ficou fora da lista desde que o ranking foi desenvolvido, em 1998.

"Embora o Brasil seja uma economia emergente, a taxa de crescimento nos últimos 10 anos foi muito menor em relação ao que era projetado. Hoje, o foco no mundo inteiro está no retorno ao investidor. Então, a empresa acaba eventualmente preferindo absorver um prejuízo e encerrar suas atividades no país a correr o risco de uma perda ainda maior", afirma o economista Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV.
 
O ano de 2019 começou com a expectativa de maior fluxo de capital estrangeiro para o país, impulsionados pela mudança de governo e reforço da agenda de concessões e privatizações, mas a percepção dos analistas e economistas é que os investidores permanecem bem cautelosos em relação ao Brasil, à espera da aprovação de reformas e de uma sinalização mais clara de uma melhora das perspectivas para a economia brasileira.

Pelos dados do Banco Central, que utiliza uma metodologia diferente da ONU para mensurar esse fluxo de aportes, os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 21,1 bilhões no 1º trimestre, praticamente o mesmo volume do mesmo período de 2018 (US$ 20,9 bilhões).

O professor de economia do Insper Otto Nogami afirma que, no Brasil, "o longo prazo é sempre difícil de ser avaliado", e que nos últimos meses houve uma piora das expectativas em relação ao ritmo de recuperação da economia diante das preocupações com a articulação política do governo Bolsonaro para a aprovação de reformas estruturais como a da Previdência no Congresso.

"Está tudo nebuloso. À medida em que se tem um cenário econômico complexo, com piora das expectativas, o investidor começa a ver que a recuperação da economia tende a vir só daqui 2, 3, 4 anos, o que pode comprometer toda uma estratégia que ele tinha em mente", avalia Nogami.

Levantamento da consultoria PWC sobre fusões e aquisições de empresas no Brasil mostra que o apetite dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil permanece bem abaixo do registrado no período pré-recessão.

De um total de 228 operações de compras de controle ou de participação em empresas realizadas de janeiro a abril, apenas cerca de 30% (68 transações) foram lideradas por estrangeiros. Nos 4 primeiros meses de 2015, o número de aquisições feita por estrangeiros foi praticamente o dobro (126), com o capital internacional à frente de 53% dos negócios anunciados (veja gráfico acima).

O indicador é um bom termômetro para o fluxo de investimento estrangeiro no país uma vez que a compra do controle ou participação de empresas já estabelecidas costuma ser a principal estratégia de entrada de grandes grupos em um outro país.

"Temos conversado com muitos fundos de investimento estrangeiros, e o que eles dizem é que têm planos de investimento no Brasil, mas aguardam algumas mudanças estruturais importantes, em particular, muito comentada, a reforma da Previdência", diz Leonardo Dell'Oso, sócio da PwC Brasil.

"A partir do momento em que o governo demonstrar um ajuste fiscal nas suas contas que possa trazer uma estabilidade econômica maior e também a criação de um marco regulatório mais robusto, o investimento certamente vai voltar a chover no Brasil", acrescenta.

Para Viktor Andrade, sócio da consultoria EY, afastadas as incertezas, o país tende a voltar a atrair um fluxo maior de investimentos. "O Brasil continua sendo opção na mesa dos investidores e tem se mantido um destino consistente dos fluxos globais, o que é surpreendente diante de todas dificuldades e da perda do grau de investimento do país. É um país grande, com instituições sólidas, e isso faz com que acaba se destacando frente a pares como Rússia e índia", afirma.

Além do baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) nos últimos anos e das conhecidas desvantagens competitivas do Brasil (complexidade tributária, baixa produtividade e infraestrutura precária), há outros entraves que fazem com que o país seja considerado mais difícil e menos atrativo para o investidor estrangeiro.

"A complexidade da operação, com custo de produção muito alto e qualidade de mão de obra muito ruim comparativamente, acaba tirando a atratividade do mercado brasileiro apesar do contingente de consumidores. Por isso, quando se trata de alta tecnologia, muitas empresas preferem produzir lá fora e só distribuir aqui", afirma Nogami.

Os analistas destacam, entretanto, que em alguns casos o fracasso da operação decorre mais do erro de avaliação do investidor e da falta de um estudo mais aprofundado sobre o mercado brasileiro e diferenças regionais.

"O mercado brasileiro do ponto de vista de PIB é grande, mas sob a ótica do PIB per capita não é tão expressivo quanto parece. Quem olha de fora, se não fizer um estado detalhado, pode pensar que para o seu produto existe um gap de consumo que não necessariamente existe", afirma Teixeira.

"A empresa traça uma estratégia para vir para cá, acreditando em alguns casos ter uma proposta que é imbatível, mas não tem conhecimento de como a renda é distribuída dentro do país, não consegue entender a cultura e as diferenças entre as regiões", acrescenta.

Veja abaixo companhias que deixaram o país ou que anunciaram o encerramento de operações no Brasil de 2017 para cá.

O grupo farmacêutico suíço Roche anunciou em março que decidiu encerrar a produção de medicamentos no Brasil em até 5 anos, citando nova estratégia global de "concentrar os esforços em produtos inovadores de alta complexidade e baixo volume de produção".

A farmacêutica americana Eli Lilly anunciou em dezembro do ano passado a decisão de fechar sua única fábrica no Brasil e concentrar a produção de medicamentos sólidos em Porto Rico.

A Ford anunciou em fevereiro que fechará sua fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e a saída da marca do mercado de caminhões na América do Sul, argumentando que a continuidade das operações no continente demandaria um grande volume de investimentos que não resultariam em "um negócio lucrativo e sustentável".

A startup espanhola de entregas de encomendas Glovo anunciou em março o encerramento das operações no Brasil, após 12 meses no país. Ao justificar a decisão, a empresa informou ter percebido que o Brasil é um mercado extremamente competitivo e que, para obter o sucesso planejado originalmente, precisaria de mais investimento e tempo para penetrar, liderar e alcançar rentabilidade.

A gráfica multinacional RR Donnelley, que era desde 2009 responsável pela impressão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entrou em processo de falência e anunciou em abril o encerramento da operação no Brasil, culpando "atuais condições de mercado na indústria gráfica e editorial tradicional, que estão difíceis em toda parte, mas especialmente no Brasil".

A marca americana de cosméticos Kiehl's, que desembarcou por aqui em 2008, anunciou no final do ano passado a decisão de fechar suas lojas e, em março, encerrou suas atividades do Brasil.

A marca britânica de cosméticos feitos à mão Lush anunciou em meados do ano passado o fechamento de suas lojas e fábrica no Brasil, dizendo não ter conseguido obter lucro nos últimos quatro anos em que operou no país.

Em setembro de 2018, a fabricante japonesa de câmeras fotográficas Nikon encerrou todas as suas atividades no Brasil. A filial brasileira tinha sido aberta em 2011 como a primeira unidade da multinacional na América do Sul, de olho em oportunidades de expansão dos negócios após a escolha do Brasil como sede de eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

A marca de sorvetes premium controlada pela americana General Mills encerrou em junho de 2018 as operações dos 8 pontos de venda próprios que mantinha no Brasil, informando que decidiu focar seus investimentos na distribuição dos sorvetes por meio dos canais de varejo e foodservice.

Em junho de 2018, o Walmart vendeu participação de 80% nas operações brasileiras para a empresa de private equity Advent Internacional, citando buscar garantir "melhor oportunidade de crescimento de longo prazo" no negócio.

Em julho de 2017, a francesa Fnac vendeu as 12 lojas que tinha no Brasil para a Livraria Cultura, após a recessão brasileira agravar ainda mais os resultados da operação, cujo modelo de negócio já enfrentava uma crise estrutural em razão dos novos hábitos de consumo de livros, música e filmes, em meio ao avanço tecnológico e do comércio eletrônico.

Em fevereiro de 2017, o grupo japonês Kirin Holdings anunciou a venda da operação para a Heineken e a saída do país, após menos de 6 anos da sua chegada e entrada no mercado brasileiro através da aquisição da Schincariol. Em meio a prejuízos e dificuldades de logística e distribuição, a Brasil Kirin avaliou que os riscos associados com a economia brasileira e a competitiva indústria cervejeira do país limitavam a possibilidade de transformar a operação em um negócio "rentável e sustentável no longo prazo".



Fonte: G1
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