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Heineken e Coca-Cola podem aderir ao uso da maconha nos produtos; entenda - 30/08/2018
As fabricantes de bebidas alcoólicas estão mergulhando de cabeça no universo da maconha. Nos últimos meses, executivos de empresas como AB InBev, Heineken, Coca-Cola e Diageo deixaram suas bebidas tradicionais de lado e foram entender como funciona esse universo. Segundo o jornal canadense The Globe and Mail, as companhias começaram uma aproximação com algumas das principais produtoras de Cannabis do Canadá.

Representantes das multinacionais do setor de bebidas realizaram diversos tours nas instalações das empresas canadenses de marijuana e têm feito reuniões com os executivos dessas empresas. Não é à toa. Em outubro, o país deve legalizar o uso recreativo da planta, dando tração a um mercado que já movimenta globalmente US$ 20 bilhões por ano.

Além disso, há claramente um temor das fabricantes em relação aos impactos do crescimento do mercado de Cannabis legal no negócio de bebidas alcoólicas.

O namoro entre os dois setores não é de hoje.A Constellation Brands, que fabrica a Corona nos Estados Unidos, investiu no ano passado US$ 191 milhões em uma fatia de 9,9% da canadense Canopy Growth. Há duas semanas, ela intensificou a aposta. Por mais US$ 4 bilhões, aumentou a participação para 38% – e, pelo acordo, tem a opção de comprar mais 139,7 milhões de ações nos próximos três anos.

Caso decida exercer o direito, sua fatia na canadense subiria para mais de 50%, garantindo o controle da empresa, e ela teria que desembolsar outros US$ 5 bilhões.

A intenção das duas empresas com a união é clara. A Canopy e a Constellation estão desenvolvendo bebidas feitas à base da planta – como infusões com THC e CBD – e querem, após a legalização do uso recreativo, inundar o Canadá com esses produtos.

“Essas bebidas não terão calorias e farão você se sentir animado”, garantiu Bruce Linton, CEO da Canopy, em entrevista à CNBC. “Estamos falando de ir em um bar e tomar uma ‘tweed and tonic’ (como esse tipo de bebida tem sido chamado).” Ele acrescentou ainda que os produtos poderão ter 80 misturas potenciais diferentes com canabinóides.

A Heineken tomou a dianteira e já oferece, desde o mês passado, um produto semelhante – em alguns mercados específicos –  por meio de sua marca Lagunitas (uma joint venture com a CannaCraft, produtora de maconha da Califórnia). A americana Molson Coors também está se movimentando e fechou em agosto uma joint venture com a canadense The Hydropothecary Corporation, para buscar oportunidades nesse segmento.

A incursão das fabricantes de bebidas no universo da maconha não é difícil de entender. Enquanto o consumo da planta tem disparado nos últimos anos, principalmente entre os jovens, o uso de bebidas alcoólicas segue uma trajetória constante de queda, nos principais mercados do mundo.

Nos últimos cinco anos, as vendas de cervejas caíram mais de 12% na América do Norte, segundo um estudo da consultoria Euromonitor. As previsões também não são nada animadoras. Até 2022, a expectativa é de um recuo de mais 14%. Enquanto as duas indústrias trazem alguns aspectos complementares, como a produção de produtos híbridos, há também um fator claro de substituição, que impacta as bebidas. Isso porque alguns consumidores deixam de usar bebidas alcoólicas quando estão consumindo maconha.

A maior parte das oportunidades na indústria de marijuana se encontra no Canadá, onde o setor encontrou um terreno fértil, em termos regulatórios e legais, para crescer. Mas, nos Estados Unidos, há também um mercado em ebulição. Nove estados já permitem o uso recreativo da Cannabis e 30, o medicinal. Até 2020, a previsão da Euromonitor é que o mercado legal de maconha movimente mais de US$ 16 bilhões só nos Estados Unidos.

Por enquanto, quem investiu nessa indústria já percebeu que a história é séria: as ações das empresas de maconha têm decolado nos últimos anos. O Marijuana Index, que acompanha a evolução dos papéis de 35 companhias listadas nas bolsas do Canadá e dos Estados Unidos, valorizou mais de 500% do início de 2016 até hoje. E, com o avanço na legalização da planta em cada vez mais mercados, a tendência é que esse crescimento continue. As fabricantes de bebida também querem surfar nessa onda.



Fonte: Estado de Minas
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